Escola Superior de Educação da Guarda em alta. Sou docente nesta escola e por isso não posso deixar de me congratular com os excelentes resultados obtidos na 1.ª fase de acesso ao ensino superior. 94,2 por cento foi a taxa de ocupação das vagas disponíveis, o melhor resultado, a nível nacional, num total de 14 Escolas Superiores de Educação.
A chamada «interioridade» e o facto de pelo 4.º ano consecutivo o total de vagas a nível nacional ser superior ao número de candidatos torna este desempenho ainda mais extraordinário. Isto não aconteceu obviamente por acaso. É o resultado de uma estratégia gizada, em grande parte, pelo director Joaquim Brigas. Em primeiro lugar, houve a coragem de tomar a medida (sempre) difícil e impopular de suspender três cursos de formação de professores e, em segundo lugar, apostou-se na criação de novos cursos: Animação Sociocultural (criado o ano passado) e Desporto, ambos com as vagas totalmente preenchidas.
A prova claríssima de que se houver determinação, trabalho e visão não estamos condenados a ser os eternos coitadinhos.
Oficina de Animação. O Armindo é brasileiro e vive na Guarda há 12 anos. É um empreendedor com imensas ideias. Gente desta faz-nos imensa falta. São eles que criam riqueza e empregos.
A Oficina de Animação é mais um dos seus projectos. A quase totalidade da sua actividade realiza-se fora da Guarda. Um pormenor difícil de compreender. Mas, enfim, esta cidade é muito complicada… Todavia, isto não impediu o Armindo de nos dias 10, 11 e 12 de Setembro ter oferecido aos guardenses vários tipos de animação de rua para comemorar o 4.º aniversário da sua Oficina. Foram centenas de crianças e adultos que puderam desfrutar deste acto generoso.
Num país em que os empresários raramente oferecem o que quer que seja à comunidade e em que passamos a maior parte do tempo a queixar-nos disto e daquilo, deve-se enaltecer este exemplo.
Obrigado Armindo e felicidades à Oficina de Animação.
Os últimos suspiros do cavaquismo. Os líderes da oposição interna a Ana Manso exibiram nas recentes eleições para a distrital a sua fraqueza e tibieza. Em vez de enfrentarem a senhora, apresentando uma lista, limitaram-se a mandar umas bocas para a comunicação social. Agora, estão à espera que a dita cuja e a sua trupe caiam sozinhos.
O comportamento “toca e foge” destes cavalheiros (os últimos resquícios do cavaquismo) não nos deve surpreender. É preciso recuar aos tempos do «homem do leme» para perceber o funcionamento destes cérebros políticos.
Cavaco Silva foi, na minha opinião, um bom primeiro-ministro. Mas foi um péssimo líder partidário. Durante uma década, carradas de laranjinhas transpiraram por todos os poros ódio ao chefe. Aprenderam a engolir sapos, a nunca criticar abertamente, sempre com o medo terrível de cair em desgraça junto do «grande timoneiro». Esta cultura de medo e ódio desvitalizou e destruiu o PSD.
Mas a influência nefasta de Cavaco não ficou por aqui: com o seu exemplo, ensinou os seus discípulos a só avançarem para as batalhas quando tivessem todas as garantias de sucesso. Este tipo de calculismo foi-lhes fatal. Permitiu que uma pessoa como Santana Lopes (que, diga-se em abono da verdade, neste aspecto é muito melhor do que a maioria dos seus colegas) avançasse lentamente e acabasse por tomar conta do partido. O problema é que atrás dele vem um exército de gente esfomeada de poder e de tachos e que acha que chegou a sua vez de mandar. São melhores que os anteriores? Não, não são. Mas a questão é que o tempo de pessoas como Álvaro Amaro ou Júlio Sarmento passou. Definitivamente. Terão, na melhor das hipóteses, que se resignar aos seus pequenos feudos locais.
Por: José Carlos Alexandre



