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Plataforma Continental Portuguesa

Mitocôndrias e Quasares

O planeta Terra é o único no Sistema Solar em que 71% da superfície está coberta por água líquida. Visto do espaço, é o Planeta Azul. Os oceanos em que provavelmente se desenvolveu a vida, são o resultado da combinação de fatores cósmicos. O mais significativo é a posição da Terra no Sistema Solar. A Terra é o terceiro planeta a partir do Sol e está suficientemente afastado dele para que a água não se transforme em vapor. Está, todavia, suficientemente perto para ser aquecido pelo Sol de modo que a água e os componentes da atmosfera terrestre não congelem. As dimensões e estrutura da Terra, tal como a sua órbita em torno do Sol, são outros fatores cruciais para a produção de um mundo com água, sendo esta última encarada como refúgio da vida. A Terra massa suficiente para gerar um campo gravítico que retém gases atmosféricos tal como eles saíram da superfície, e a rotação garante que seja aquecida de modo mais ou menos uniforme em toda a superfície.

A massa de água que banha a costa portuguesa é o Oceano Atlântico. Este é o segundo maior oceano da Terra, a seguir ao Oceano Pacífico, cobrindo aproximadamente um quinto da superfície do planeta. Em comparação com o Pacífico, o Atlântico é um oceano relativamente mais jovem, porque formou-se há cerca de 150 milhões de anos. Está ainda a alargar-se, à razão de cerca de 2,5 cm por ano, porque o fundo do oceano expande-se na crista média. A crista média estende-se por 11 000 km, no centro do Atlântico, desde um ponto a norte da Islândia, cruzando o equador, até à ilha Bouvet na orla do Antárctico. Embora não tão largo como o Pacífico, no Atlântico desaguam muitos dos rios grandes do mundo, dado que as massas continentais que o envolvem geralmente inclinam-se para ele. Seguindo esta ligeira descrição, as margens do Atlântico são muito mais estáveis do que as do Pacífico, sendo caracterizadas por taludes continentais vastos, que são locais de muitas áreas de pesca importantes. Os taludes do Atlântico, para além da pesca, contêm muito petróleo e gás. É precisamente devido a estas possíveis fontes de energia, bem como com a presença de depósitos de cobre, níquel, cobalto, ouro e prata, que existe uma intensa luta científica e diplomática para aumentar a plataforma continental portuguesa para lá das 200 milhas marítimas, ficando Portugal com a segunda maior plataforma mundial, a seguir aos Estados Unidos. Este alargamento poderá ficar concluído em 2015 com reconhecimento por parte das Nações Unidos deste novo território como parte integrante de Portugal. Este território designado por plataforma continental é definido como a superfície do fundo submarino junto à costa, compreendido entre o litoral e as profundidades que nunca são superiores a 200 metros. Trata-se do perímetro estendido dos continentes que se encontra coberto por mares não demasiado profundos.

A plataforma continental tem origem na costa e termina num declive pronunciado denominado barreira continental. Depois dessa barreira, vêm os fundos marinhos a que se lhes dá o nome de talude continental ou oceânico.

Um oceanógrafo famoso costumava começar as suas palestras sobre os oceanos com a frase: “Os oceanos são vastos, profundos, negros, frios e salgados” mas os oceanos são muito mais do que isso. Atualmente começa a olhar-se com especial atenção para o potencial gerado pelos oceanos para promover a sustentabilidade na produção bens e serviços. Se bem administrados, os mares e oceanos podem gerar empregos e oportunidades de negócios. O potencial estratégico desta área de negócio é tal forma elevado que o conceito de economia verde começa a ser substituído por economia azul, onde os mares e oceanos são a alavanca impulsionadora do desenvolvimento sustentado, daí que o ano de 2015 seja importante para Portugal em termos da delimitação da fronteira marítima.

Por: António Costa

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