Nestes dias em que a Guarda comemora mais um aniversário na sua provecta idade, faz parte da tradição, a nossa autarquia prestar pública homenagem a pessoas e instituições que pela sua actividade valorizaram o nossa cidade e a nossa região.
Foi a pensar neste acto, que entendo ser não só de justiça como ainda de carácter pedagógico, que dei comigo a discorrer sobre as infelizmente muitas situações que lhe são opostas.
Mais concretamente, refiro-me a tomadas de posição ou omissões, que contribuíram para uma má imagem, ou para a nossa falta de desenvolvimento.Assim, sem esforçar muito a memória, pergunto-me se apoiar a introdução de portagens na A23 e A25 é defender a Guarda; se atrasar o arranque da Plataforma Logística é defender a Guarda; se adiar o novo Hospital é defender a Guarda; se apoiar a extinção dos serviços da Maternidade, com a sua passagem para a Covilhã, é defender a Guarda.
Estas são apenas algumas situações que, por mais recentes, me vêm à memória, nas quais a lógica que lhes subjaz é a de tentar provar que para termos algo melhor, teremos que ter menos, ou seja:
Para termos melhores estradas temos que perder o IP5 e o IP2; para termos um melhor Parque Empresarial, temos que adiá-lo, sabe-se lá para quando; para termos um novo Hospital, é preciso eliminar o actual; para termos serviços de maternidade modernos e mais lucrativos, temos que extinguir os actualmente existentes e viajar 45 quilómetros.
Quando, num exército, um soldado passa para o inimigo, à sua deserção correspondia o fuzilamento; se, numa empresa, um colaborador trabalhar para a concorrência, o mínimo que lhe pode acontecer é ser despedido.
Não defendo que nestas traições que se fazem à Guarda se vá tão longe, mas talvez não fosse má ideia que, no dia de aniversário da Guarda, fosse também instituído e atribuído o “galardão da rolha queimada”, como público reconhecimento a todos os que mais não têm feito do que prejudicar esta terra e suas gentes.
Por: Álvaro Estêvão



