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Os colégios privados em Portugal

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A propósito do que tem de ser uma discussão mais séria e menos emocional. Donde vem o dinheiro do Estado? O que é o Estado? O que é isso do dinheiro de todos nós? O Estado é um modo organizado de gerir a vida comum dos cidadãos. Ora a estrutura Estado financia-se de impostos. O dinheiro que chega ao PIB é o pecúlio das mais-valias da produção do Estado (se ele produzisse petróleo, exportasse gás, etc.) Seria a venda de produtos construídos pela organização Estado (como se sabe já não existem) em fábricas de comboios ou de navios, em entrepostos comerciais, etc. Então, sobra a recolha de impostos aos que na sua atividade privada produzem coisas, que vendem e exportam. Os outros não pagam nada ao Estado. Melhor, todos pagamos impostos indiretos quando pagamos IVA ou quando se incluem taxas nas contas, ou quando temos portagens e SCUT. Mas os descontos de funcionários públicos não são ganhos do Estado. São menos gasto do Estado. Os funcionários públicos recebem do Estado mais ou menos conforme aquilo que se decide reter. E não pagam porque são a própria máquina do Estado. É um jogo de “toma lá dá cá” que sai todo do mesmo bolso e a ele retorna. Não se ofendam, isto não retira qualquer dignidade ao funcionário público, ele é uma função do Estado que politicamente se decide que existe para servir a população.

De facto há uma enorme confusão na cabeça das pessoas que dizem que o ensino privado é subsidiado pelo Estado. Não! A verdade é que o ensino público é pago por privados! E já agora também é pago o financiamento dos colégios privados com dinheiro público, que realmente veio do dinheiro retirado aos privados. O Estado que produzia capital, que tinha empresas, que gerava comboios, que fazia navios, e gerava riqueza foi vendido! O capital de empresas como a PT, a EDP, a REN, que foram do Estado com outras siglas como Marconi ou Serviços Municipalizados, foi reduzido por gestão enganosa. Então o dinheiro que damos aos colégios privados vem realmente do PIB que é constituído exclusivamente por dinheiro de privados. Não se ofendam, é a realidade do país que construímos desde Cavaco Silva e Mário Soares! O que não podemos é achar que o dinheiro do PIB, que o Estado (agora comandado por António Costa) gere, veio da chuva ou surgiu das mãos do povo. Os trabalhadores da área privada geram a produção com que enriquecem as empresas para que estas paguem ao Estado. De facto, eles próprios também pagam parte do seu salário. O pilar do pensamento comunista pressupõe que esta massa anónima de gente deveria gerar um capital e umas mais-valias que seriam imediatamente do Estado, pois não haveria patrões. Para os anarquistas não haveria Estado nem patrões e eles ficavam com tudo o que produziam e, consequentemente, a escola pública nuns seria única e nos segundos não existia… Enfim, os homens ainda não encontraram um caminho certo!

Por: Diogo Cabrita

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