No passado sábado de Aleluia, a aldeia da Bendada foi palco para o debate sobre o país das aldeias.
Capoulas Santos, Helena Freitas, Jorge Seguro Sanches e João Vasconcelos representaram o Governo da República Portuguesa para uma discussão urgente sobre a valorização do território rural. Vítor Andrade, um bendadense militante e editor de Economia do semanário “Expresso”, não deu tréguas aos convidados.
Augusto Mateus, antigo ministro da Economia e consultor na área da coesão territorial, teve outra das frases lapidares da tarde: «Nos últimos anos ou mesmo décadas, a população rural definhou porque o Estado mais não fez que distribuir o mal pelas aldeias. Não houve coragem para fazer outra coisa que não isso. Não houve e não há coragem para as prioridades».
Para quem não conhece, a Bendada é uma aldeia sabugalense que fica no fim da estrada. Fica longe de tudo e de todos, mas acolhe de braços abertos a Banda Filarmónica Bendadense e a Serra da Nossa Senhora do Castelo.
Dois (atr)ativos de peso!
O mote do debate esteve na capacidade das aldeias em gerar valor económico e social, e com isso alcançarem a capacidade de emprego necessária para a promoção do repovoamento. Assim, através da cultura, transformação de produtos locais ou prestação de serviços online, as aldeias seriam capazes de desenvolver os seus polos de competitividade em contexto global. Porque todas as aldeias têm fatores distintivos que podem alavancar valor.
Fica a pergunta: somos capazes de fintar o abandono das aldeias?
Por: Frederico Lucas



