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O jogo dos golos estranhos

Celorico da Beira bateu o Sporting da Mêda por duas bolas a uma

Num jogo de fraco nível, o Grupo Desportivo de Celorico da Beira levou a melhor sobre o Sporting da Mêda por duas bolas a uma, contrariando a tendência da tabela classificativa em que as duas equipas surgiam separadas por 14 pontos e com vantagem para os forasteiros. Os três golos da partida, dois deles algo caricatos, foram todos apontados na segunda parte, numa partida que registou três expulsões.

O jogo começou muito disputado a meio-campo com as primeiras ocasiões de golo a acontecerem perto dos dez minutos. Primeiro, para o Sp. da Mêda através de um remate de Nuno Carvalho, de fora da área, descaído para o lado esquerdo, que obrigou Marcelino a arrojar-se ao chão. Na resposta, Zé Miguel desperdiçou uma soberana oportunidade para inaugurar o marcador quando, completamente isolado frente a Paulo Jesus, possibilitou a defesa do guardião medense. Ao quarto de hora, a turma forasteira voltou a criar perigo por Rogério, o seu melhor elemento nesta partida, que arrancou um cruzamento da direita para um belo cabeceamento em “voo de peixe” de Paulo João mas que saiu à figura de Marcelino. Apesar destas jogadas de perigo, a partida decaiu de interesse e foi preciso esperar pelo minuto 40 para se assistir a nova situação de golo. Zé Pedro marcou um livre à entrada do meio-campo para a área do Sp. da Mêda onde surgiu Carlos Freitas a cabecear o esférico que só não entrou por mera felicidade de Paulo Jesus, que viu a bola ir-lhe direita à cabeça depois de ter saído da baliza a destempo.

Até que aos 47 minutos de jogo a equipa de João Borrego ficou reduzida a dez unidades, por expulsão de Rui Lopes após escaramuça na área celoricense. A jogar com mais um homem, o Celorico entrou na segunda parte com vontade de chegar à vantagem, intento conseguido aos 58’ graças a uma jogada de insistência de Ribeiro. O médio da equipa da casa não desistiu de lutar numa jogada aparentemente inofensiva e aproveitou a atrapalhação do guarda-redes e de um defesa contrário para marcar num ressalto, após um remate de calcanhar. A partir daqui, o Sp. da Mêda passou a jogar mais ao ataque, beneficiando das duas expulsões que a equipa da casa – que entretanto passou a actuar em contra-ataque – registou aos 69’ e 81’. E foi mesmo numa dessas jogas que os visitados chegaram ao golo da tranquilidade, aos 87’, de grande penalidade a punir um agarrão de um defesa medense a Carlos Freitas quando este se preparava para cabecear para a baliza. Chamado a converter, Machado fez o dois a zero. Já ao “cair do pano”, aos 94’, o Sporting da Mêda alcançou o merecido tento de honra. Luís Amado arrancou um cruzamento do lado direito para a pequena área do Celorico, onde Marcelino e Gouveia, sem nenhum adversário por perto, se atrapalharam com a bola a entrar na baliza depois de bater nas pernas do segundo. O jovem Hugo Geraldes sentiu algumas dificuldades para “segurar o jogo”, mas esteve bem nas expulsões e na grande penalidade.

No final da partida, José Arrifano mostrou-se satisfeito com a obtenção de mais um triunfo: «Foi uma boa vitória, que precisávamos e merecíamos. A equipa não tem tido sorte, porque tem potencial e matéria-prima para fazer melhor», assegurou o treinador do Celorico da Beira. Por seu turno, João Borrego, cujo trabalho foi contestado por alguns adeptos, garante que só ainda não «”abandonou o barco”» por causa do presidente da colectividade. Na sequência da derrota caseira da última jornada com o Sabugal, «alguns directores que não estão habituados a perder este ano tiveram atitudes menos correctas perante os meus jogadores e a equipa. Hoje, se calhar, todos se ressentiram dessa situação», desabafou.

Ricardo Cordeiro

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