O arquivo dos jornais são uma das muitas razões para a imprensa ser necessária e merecer a confiança dos leitores. Nele encontramos sempre a memória de uma comunidade, o encontro com a história, os afetos de um momento, as polémicas circunstanciais, as revelações e estratagemas de um tempo, os protagonistas a prazo, e as opiniões e comentário da atualidade. E ainda a intervenção social, a critica, a denúncia, a informação…
No arquivo deste jornal, com quase 14 anos, encontra-se um pouco de tudo o que atrás se refere. E encontram-se, nomeadamente, muitas palavras escritas sobre a necessidade de mudança política na região, muitos editoriais e comentários sobre a necessidade de mudanças no poder, muitos textos de informação sobre erros e inépcia de autarcas – sempre sem tergiversar, sem tomar parte quando o nosso estatuto editorial obriga a manter equidistância e independência, sem fazermos opções editoriais que ferissem a nossa conduta e o nosso código deontológico, mas sem deixar de expressar de forma clara e inequívoca que a mudança de partido nos diferentes palcos de poder é determinante para um novo rumo e uma nova dinâmica de desenvolvimento da região. Sempre o escrevemos sobre assuntos domésticos ou sobre governação nacional. Porque mudar é ganhar uma nova esperança, um novo alento, uma nova utopia ou sonho.
Enquanto outros se dobravam ou calavam, aqui escrevemos bastas vezes sobre a inenarrável governação da Câmara da Guarda ao longo de anos, e sobretudo no último mandato socialista, e não tivemos dúvidas em afirmar que Joaquim Valente e o seu executivo foram os piores de sempre na cidade. Mas não apenas identificávamos erros de má governação, como alertávamos o cidadão para a necessidade de mudar. Porque a mudança é o fechar um ciclo, é o injetar dinâmicas, inventar soluções, pensar de forma diferente, idealizar novos objetivos, acabar com os vícios e os favores, é criar uma nova expetativa.
E houve mudança. Em 2013!!! A partir do Natal vamos começar a exigir o cumprir da metamorfose.
Feliz Natal aos leitores e votos de sucesso aos eleitos que têm a responsabilidade de mudar a região.
PS1– O senhor Bispo da Guarda ficou «surpreendido» com os factos relatados no julgamento do ex-vice-reitor do Seminário do Fundão. O sacerdote foi julgado e condenado por um Tribunal que considerou provados 19 crimes contra crianças ou jovens que estavam a seu cargo. Serviu-se do seu poder para impor um servilismo obsceno e doentio; destruiu moralmente as suas vítimas jovens que nunca irão esquecer o inferno porque passaram. E perante isto, quando se esperava que o senhor Bispo da Guarda pedisse desculpa às vítimas que se encontravam sobre a sua jurisdição (da Diocese) ou pelo menos tivesse umas palavras de conforto para quem padeceu às mãos de um predador, mostrou-se surpreendido e «triste» com a condenação do pedófilo. A situação era delicada, mas bastava ter ouvido o Cardeal Patriarca para perceber que os verdugos têm de ser castigados pelos seus atos; a Igreja não é culpada pelos erros de alguns dos seus pastores, mas o rebanho não pode admitir a ocultação ou desculpabilização dos seus pecadores.
PS2. Alexandre Soares dos Santos, o empresário com raízes familiares no Safurdão e que liderou durante anos o grupo Jerónimo Martins, é um dos homens mais ricos de Portugal. O seu dinheiro dá-lhe protagonismo e palco para defender o que quiser, até mais austeridade para Portugal. Fala também habitualmente do seu patriotismo e da «boa governação», e até defende que o salário mínimo desça para poder pagar menos aos trabalhadores e levar mais lucros para a Holanda. Agora descobriu que há trabalhadores do Pingo Doce que estão a passar fome e por isso decidiu oferecer-lhes cabazes de natal. Vai dar uma esmola em vez de aumentar o salário. É triste!
PS3. A animação prevista para o Hotel Turismo está a gerar um grande alarido na cidade. Compreende-se. O marasmo a que estávamos habituados foi interrompido por uma avalanche de pequenas atividades. Porém, quando se esperava uma solução rápida para a requalificação do Hotel, vemos que, por enquanto, e à falta de um projeto de fundo ou de decisões com futuro, serve de palco para a animação natalícia. Com pão e bolos se enganam os tolos…
Luis Baptista-Martins



