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Motards invadiram Freixinho

A “tendatronik”, o “paintball” ou o alambique foram algumas das novidades do III Encontro Motard

Todos os caminhos foram dar ao Freixinho, uma anexa da freguesia de Lamegal, no concelho de Pinhel, na passada sexta-feira e no sábado por ocasião do III Encontro Motard. A pacata aldeia foi invadida pelo ruído das centenas de motas que por ali passaram e encheram de cor, barulho e alegria as ruas, desafiando carroças e tractores. Durante dois dias, os velhos contrastaram com os novos, mas foi esta dicotomia que deu o tom à festa.

«A minha motorizada ficou na garagem, vim à boleia», graceja Virgílio Andrade, de 80 anos, que se deslocou propositadamente de Vilar Formoso com um amigo. «Já vi algumas concentrações, mas nenhuma como esta», acrescenta surpreendido. Apesar de não gostar de grandes velocidades, aprecia os modelos, nomeadamente uma Kawasaki Z 1000 laranja, que lhe ficou, a ele e ao amigo José Coelho, na retina: «É bonita, sim senhor», concorda Virgílio Andrade, enquanto dá outra olhadela, «mas, não é para mim!», garante. O amigo, de 72 anos, também gosta de motas, mas à semelhança do seu companheiro, prefere a sua motorizada. Ambos ficaram surpreendidos com o que viram, «tantas motas e tanta gente», exclamou José Coelho. Já Agostinho Augusto é “motard”, mas também foi a sua primeira vez no Freixinho. «Já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha tido a oportunidade de vir», diz o guardense. Também ele ficou admirado com o que viu: «É um ambiente diferente do habitual», sublinha. A aldeia estava decorada a preceito, com motas velhas penduradas nos postes de electricidade ou nas varandas e terraços das casas. A iniciativa é organizada anualmente pelo Centro Social Cultural e Recreativo local e envolve a participação de quase toda a população, que, com o seu empenho e de forma voluntária, contribui para o êxito do encontro.

Na edição deste ano vieram cerca de 300 “motards” e muitos curiosos: «Ficámos surpreendidos com a adesão, principalmente na noite de sexta-feira, que costuma ser mais caseira», afirma Inês Varandas, da organização. Ao todo colaboraram «cerca de 50 pessoas», contabiliza, admitindo que realizar um evento desta envergadura «dá muito trabalho, já andávamos a trabalhar há alguns meses para estes dois dias». Mas vale a pena, pois traz uma «dinâmica diferente» ao Freixinho, e como todos os organizadores têm aqui as suas raízes, «ficamos orgulhosos por ver a aldeia cheia de gente», garante. O facto da pequena localidade ser invadida por centenas de pessoas e muito ruído, «não incomoda quem cá vive», assegura Inês Varandas, pois a maioria dos habitantes são familiares e «o nosso êxito é o êxito deles». Por outro lado, «também gostam de ver a aldeia promovida», destaca. Para além das barraquinhas com “comes e bebes” espalhadas pela localidade, alguns habitantes ainda abriram as suas adegas aos “motards” e a todos os visitantes, oferecendo bebidas e, por vezes, presunto ou queijo. Mas havia outros espaços de lazer como os lagares de vara, o forno comunitário de duas bocas, o único do concelho, as casas ou palheiras antigas e o “tronco” da aldeia. As novidades deste ano passaram pela “tendatronik”, um palco em forma de mota velha, numa garagem junto ao forno comunitário, onde um DJ deu música às longas noites. Além do “paintball” ou do alambique.

Apesar de não ser cobrada qualquer taxa de inscrição aos participantes, com o intuito de aumentar o número de visitantes, a organização tem conseguido angariar algumas verbas que têm sido canalizadas para a melhoria das suas instalações e da própria aldeia. No final da jornada, o balanço é positivo e sem incidentes, regozija-se Vítor Amaro, presidente da colectividade. A próxima edição «só depende da votação da Assembleia Geral do Centro Social Cultural e Recreativo do Freixinho», garante.

Patrícia Correia

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