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Mileu tropeça em Alverca da Beira

Guardenses deixaram fugir líderes do campeonato numa partida com nove cartões amarelos e cinco vermelhos

O Mileu, com uma diferença pontual de cinco pontos para os primeiros, jogou em Alverca da Beira, onde era claramente favorito, mas o desafio não lhe correu de feição. Foi um mau jogo de futebol, muito por culpa – também – das diminutas medidas do campo. Um rectângulo com estas dimensões provoca naturalmente um maior número de contactos físicos e, neste aspecto, os árbitros também têm que ter outra postura, porventura mais interventiva, disciplinadora e coerente com o palco desportivo.

Em relação ao resultado, o empate pode considerar-se justo face ao que ambos os conjuntos desenvolveram em campo. O Alverca, a jogar em casa e a conhecer bem o terreno, teve uma postura mais agressiva, mais em cima do adversário que possuía a bola, conseguindo desta forma tirar dividendos. Logo aos 14’ dispôs de uma grande penalidade que Luís concretizou. Um penálti muito contestado pelos guardenses, sobre o qual nada podemos opinar porque as nossas condições de reportagem também não foram as melhores e por isso mesmo fica o benefício da dúvida para o trio de arbitragem. Os motivos de interesse viraram-se apenas para os golos que pudessem acontecer porque o futebol, esse, continuou a ser pouco atractivo e apenas com muito pontapé para o ar.

Na segunda parte, o emplastro da partida manteve-se, mas com a equipa do Mileu mais agressiva sobre a bola e, à passagem da meia hora, os visitantes chegaram à igualdade. Pedro Francês desenhou uma boa jogada na direita, rematando forte e rasteiro com o guardião Cláudio a defender de forma incompleta para Gaspar, de fora da área, aproveitar. Até final, as quezílias entre os jogadores foram-se sucedendo e o número de cartões também foi aumentando. Para além dos amarelos, Tiago Cadete mostrou ainda cinco vermelhos, três para o Mileu e dois para o Alverca. Quanto a nós, a expulsão de Stromberg foi exagerada. O lance desenrolou-se a meio campo e o que nós vimos foi uma disputa de ombro com ombro, tendo o mais forte fisicamente ganho essa disputa. A finalizar, um reparo e um conselho: em campos de dimensões reduzidas, o árbitro tem de “agarrar” o jogo desde o início. No final do encontro, José Henriques, técnico dos Alverquenses, considerou o resultado «justo, num jogo que não foi muito bonito». Pelo lado do Mileu, Liberalino Almeida mostrou-se bastante cáustico: «O circo e a palhaçada começaram agora. O Alverca não tem culpa, mas a arbitragem foi vergonhosa. Até parece que vieram encomendados por alguém», criticou.

António Fonseca, “Jogo Limpo”, Rádio F

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