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Menos Que Zero

No Fórum Mulher, emitido na TSF, discutia-se a forma como os portugueses recebem os emigrantes. Entra em directo a secretária-geral de uma associação de defesa de emigrantes e, como se estava a ouvir muito ruído de fundo, a jornalista pediu à senhora que desligasse o rádio. “Desculpe, é que estou a conduzir e a falar ao telemóvel, por isso não consegui baixar o rádio do carro”, respondeu a senhora.

Pois é, muito preocupada com os direitos dos emigrantes mas nada preocupada com a segurança dos automobilistas que naquele momento se cruzavam com ela.

Os culpados

O editorial do Expresso desta semana constatava que “muitos dos que hoje falam e escrevem sobre os «media» não perceberam ainda que no universo da informação se deu recentemente uma mudança fundamental. E que mudança foi essa? O aparecimento da Internet. Segundo o editorialista, antes do aparecimento da Internet havia um filtro entre o produtor e o consumidor de notícias: a cadeia hierárquica que avaliava a notícia. Ora, na Internet isso não existe e, por isso, a informação vai directamente dos autores dos “sites pessoais ou dos blogs” para os leitores. E é aqui que, segundo ele, se inicia “um processo diabólico”. Os “tablóides” colocam em manchete as informações recolhidas na Internet, as televisões reproduzem essas notícias e os jornais de referência “vêem-se obrigados a dar-lhes espaço”. Em suma, a culpa da “tablóidização” da informação é da Internet.

Fraca explicação para os recentes pecadilhos cometidos por alguns jornais de referência. Porque em termos de credibilidade da fonte, não há diferença entre o que se lê numa carta anónima e o que se lê num blog anónimo. Não há diferença entre um texto lido num site pessoal e uma conversa ouvida no barbeiro.

A verdadeira causa das coisas é que a tal “cadeia hierárquica” está mais preocupada com aumentos de vendas do que com ética e deontologia jornalísticas.

O meu é maior que o teu

A Covilhã vai ter uma Clínica de Diálise com capacidade para atender diariamente 120 doentes. Como ficará localizada junto ao Hospital Pêro da Covilhã e à Faculdade de Medicina da UBI, logo se falou na “Cidade da Saúde”. Como habitualmente, é tudo à grande. Não se faz nada nesta cidade que não seja o melhor, o maior, o primeiro ou o único do país. Um campo de futebol com uma pista de atletismo à volta é um Complexo Desportivo. Um hospital, uma faculdade e uma empresa são uma Cidade da Saúde. Meia-dúzia de ruas enlameadas são um Parque Tecnológico.

É por causa de posições como esta que a Comunidade Urbana não ata, nem desata.

Por: João Canavilhas

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