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“Gulliver” chegaram à Guarda

Mini-autocarros eléctricos circulam pela linha azul até 9 de Junho

Desde a última segunda-feira que a população da Guarda tem a oportunidade de testar dois mini-autocarros movidos a energia eléctrica, popularmente conhecidos por “Gulliver”. Até dia 9, de forma experimental e inteiramente gratuita para os utentes, os dois veículos vão circular num percurso urbano de 3,5 quilómetros, assinalado por uma linha azul no pavimento. Durante este período, o serviço de mini-autocarros vai ser avaliado pelos utentes, que terão uma palavra importante a dizer quanto ao eventual sucesso da iniciativa, cabendo depois à autarquia a aposta ou não nestes veículos a título permanente.

Para o efeito, estão a ser feitos inquéritos aos passageiros para conhecer o nível de satisfação do serviço. É que caso os utentes dos “Gulliver” dêem aval positivo a estes amigos do ambiente e os relatórios efectuados atestem a mais-valia dos mesmos, a autarquia da Guarda poderá ver-se a braços com um novo “problema”: «Se a população vier a aderir a este novo tipo de transporte neste percurso, no dia em que terminar a experiência vamos ter esse problema, mas oxalá que o tenhamos porque se assim for é sinal que este meio de transporte e a carreira que está estabelecida neste momento tem receptividade por parte da população», admite Esmeraldo Carvalhinho, vereador do Ambiente na Câmara da Guarda. De resto, existe a «possibilidade de recursos a financiamentos externos», pelo que, se existir vontade da população, a Câmara terá que «pensar seriamente em implementar este tipo de transporte ecológico», admite. Vieira Costa, da Direcção-Geral de Transportes Terrestres, explica que as autarquias interessadas em adquirir estes veículos, que custam cerca de 150 mil euros, poderão ser apoiadas com verbas provenientes do PIDDAC «entre 50 a 75 por cento do custo do investimento».

Os veículos custam «mais cerca de 50 por cento do que os outros», mas, em contrapartida, têm um custo de exploração «mais baixo», frisa. A Guarda é a última capital de distrito a testar os veículos ecológicos, tendo-se registado um balanço «muito positivo» a nível nacional, uma vez que a adesão das pessoas tem sido «enorme», com uma média de oito a dez passageiros por circuito. Para além da Câmara da Guarda, a iniciativa engloba ainda a DGTT como entidade promotora/financiadora, e a Associação Portuguesa de Veículos Eléctricos, como executora do programa de “Mini Autocarros Eléctricos em frotas de Transporte Público Urbano”.

“Gulliver” tem capacidade para 22 passageiros, oito dos quais sentados

Robert Stussi, vice-presidente da AFVE e responsável pelo Programa de Autocarros Eléctricos, salienta que este é o «único tipo de autocarro que no sítio onde circula não polui nada», apresentando ainda um ruído «extremamente baixo». O trajecto dos mini-autocarros encontra-se marcado no pavimento por uma linha azul, não existindo paragens fixas, bastando aos passageiros manifestar a intenção de entrar ou sair ao motorista. Os veículos percorrem sucessivamente o percurso assinalado, com uma extensão aproximada de 3,5 quilómetros, sendo o tempo médio de espera de cerca de sete minutos. Os “Gulliver” circulam das 9 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, e das 9 às 13 horas aos sábados, passando por algumas «artérias importantes» da cidade como as Ruas Batalha Reis, Francisco Salgado Zenha, Coronel Orlindo Carvalho, Marquês de Pombal, Alves Roçadas, Dr. Lopo de Carvalho, Paiva Couceiro e ainda pela Avenida dos Bombeiros Voluntários e pelo Largo Frei Pedro. De fabrico italiano, estes veículos não produzem quaisquer emissões poluentes no local de circulação. O “Gulliver” foi escolhido por ser adequado aos centros urbanos e pela fiabilidade e baixo custo de exploração. O motor eléctrico é alimentado unicamente a partir das baterias, carregadas através da rede eléctrica de distribuição pública, e tem uma autonomia de quatro a cinco horas, dependendo da velocidade e do traçado. Transporta 22 passageiros, oito dos quais sentados, e atinge a velocidade máxima de 33km/hora, tendo 5,30 metros de comprimento e 2,07 de largura, dispondo ainda de instalação para segurar uma cadeira de rodas. Depois de Gouveia, em Agosto do ano passado, a Guarda é assim a segunda cidade do distrito a acolher esta iniciativa experimental.

Ricardo Cordeiro

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