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Gente com profissão

Após as eleições de 2011 para a Assembleia da República, e num momento em que eram conhecidos os nomes dos novos membros do Governo, Medina Carreira fez um comentário cristalino sobre a mudança de paradigma: «Temos finalmente no Governo gente com profissão».

E isso mudou tudo. Um candidato Primeiro-Ministro não promete aquilo que não consta na sua função: aumento das exportações, da produção, do investimento na inovação empresarial, etc… Cabe ao Governo a equidade e o equilíbrio das Contas Públicas, algo que manifestamente têm sido incompetentes para cumprir.

A competitividade da economia cabe às empresas. E nenhum líder de uma associação empresarial se lembrou alguma vez de prometer o aumento das reformas e dos abonos à população.

E isto acontece porque um líder empresarial em Portugal tem o mérito e o reconhecimento entre pares, isto é, para além de ter a profissão de gestor, é reconhecido entre pares como capaz de os representar. Tanto melhor é o líder, quanto a competitividade do sector que representa.

Esta reflexão conduz-me a uma conclusão: a falência das políticas económicas e sociais deveria promover uma nova vaga na política. Gente com profissão e reconhecimento entre pares. Sejam jornalistas, empresários, professores ou médicos. Mas com reconhecimento e curriculum na sua área profissional.

Estes terão a capacidade de fazer política baseada na sua experiência de vida. E não nos interesses, nos interesses dos interesses, nos interesses dos interesses dos interesses.

Por: Frederico Lucas

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