É o único certame que sobrevive ao fim de semana do Carnaval. A Feira do Fumeiro e dos Sabores do Nordeste da Beira está de regresso ao pavilhão multiusos de Trancoso no próximo sábado e domingo.
O certame, que já vai na 11ª edição, conta com a participação de cerca de uma centena de produtores de enchidos e fumados, queijos, pão, doçaria regional, vinhos, mel, azeites e ainda de artesanato regional. Organizado pela AENEBEIRA – Associação Empresarial do Nordeste da Beira, município de Trancoso e Raia Histórica – Associação de Desenvolvimento do Nordeste da Beira, o evento é considerado o maior do género na região e destina-se a divulgar e promover os produtos endógenos e produtores regionais. «A nossa pretensão é contribuir para que os protagonistas deste setor de atividade dos produtos agroalimentares tradicionais tenham cada vez mais rentabilidade», declarou António Oliveira na abertura da feira, na passada sexta-feira. O presidente da AENEBEIRA sublinhou a perspetiva regional da iniciativa, uma vez que participam produtores do vale do Douro à Serra da Estrela e Cova da Beira. «É este o nosso território e coincide com a nova Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela», considerou.
O responsável destacou ainda a importância do colóquio, promovido no sábado, sobre a reintrodução do porco de raça bísara, variante beiroa, na região. «Era a nossa raça autóctone e neste momento é determinante para qualquer processo de certificação dos nossos enchidos porque têm que ter como pressuposto a utilização de matéria prima da raça bísara», afirmou António Oliveira. Em Trancoso, haverá atualmente um efetivo de cerca de 500 animais numa única exploração, gerida pela Casa da Prisca – que tem um stand só com enchidos produzidos com raça bísara em Trancoso –, mas têm surgido outras mais pequenas um pouco por toda a região, afiança o dirigente. «Tal como aconteceu em Trás-os-Montes, a certificação dos enchidos com uma identificação geográfica protegida é seguramente uma mais valia para esta fileira, uma vez que permite uma maior valorização do produto. É a mesma coisa que um vinho ser DOC ou não», exemplificou o presidente da AENEBEIRA.
Por sua vez, o presidente do município considerou que «é preciso dar valor àquilo que temos, aos produtos tradicionais, pois são ou podem vir a ser fonte de riqueza». Amílcar Salvador elogiou ainda a feira, reconhecendo que já é «um evento de grande referência, que traz muita gente a Trancoso vinda de todos os cantos do país».



