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Dono do Torrão esteve disposto a oferecer terreno para o novo hospital

Hermínio Mourato recusa papel de “mau da fita” e garante que o caso poderia ter sido resolvido se a autarquia quisesse

Hermínio Mourato, proprietário do terreno do Torrão escolhido pelo Grupo de Missão para as Parcerias na Saúde, disse esta semana a “O Interior” ter estado disposto a oferecer o espaço necessário à construção do novo hospital da Guarda se a autarquia tivesse «garantido determinadas condições de construção» nas zonas circundantes. Mas que essa disponibilidade já não se verifica por causa da «barafunda e da desinformação» que se gerou em torno do assunto. Uma revelação surpreendente do promotor imobiliário, que não terá gostado de ouvir Maria do Carmo Borges dizer, no recente debate promovido pela Assembleia Municipal, que a aquisição do terreno vai custar à Câmara perto de um milhão de contos.

Hermínio Mourato diz que não é bem assim e que nunca lhe passou pela cabeça pedir «preços exorbitantes» pelo terreno, até porque «nunca ninguém» o contactou ou lhe perguntou o valor pretendido. Pela sua parte, o empresário estima que o preço do terreno, «devidamente infraestruturado», possa rondar os 250 mil contos, mas confessa estar muito interessado em «contribuir para o bem estar da comunidade e o desenvolvimento» da cidade que o acolheu [é natural de Abrantes], pelo que ainda poderá eventualmente ponderar a «oferta» da área necessária à construção do futuro hospital, «se a decisão técnica for nesse sentido», porque não quer contribuir para «polémicas e guerras políticas», refere. Em contrapartida, espera que a autarquia seja, no mínimo, «sensível» aos seus interesses imobiliários naquela área e permita zonas de construção «razoável», o que é actualmente inviável no Plano Director Municipal. «Se fosse possível chegar a um compromisso, eu entregaria com muito gosto o espaço necessário, poupando à Câmara da Guarda alguns tostões para poder fazer as infraestruturas», acrescenta Hermínio Mourato, sublinhando que não será por sua causa que o novo hospital da Guarda «não se fará»

O promotor imobiliário revela ainda que lhe dá «vontade de rir» quando ouve falar num milhão de contos pelo Torrão. «É um número lançado na opinião pública para confundir as pessoas e para a presidente da Câmara sacudir a “água do capote” neste processo, alegando que a Câmara não tem dinheiro. Que eu saiba, foi Maria do Carmo Borges quem prometeu comprar um terreno, quem propôs seis locais alternativos e que o colocado em primeiro lugar pelo Grupo de Missão é uma propriedade minha. Como não fui eu que pedi à presidente para a indicar o meu terreno, recuso-me a ser o “mau da fita” neste caso, porque nunca pedi um milhão de contos a ninguém», realça Mourato, para quem tudo está nas mãos da presidente da Câmara. «Ela é que é política», conclui. Segundo dados do Grupo de Missão para as Parcerias em Saúde, o futuro hospital da Guarda só deverá começar a ser construído em 2007 para ficar pronto três anos depois. O equipamento, a realizar no âmbito das parcerias público-privadas, será edificado numa área de 8 hectares, terá entre 250 a 280 camas, menos que as actuais do Sousa Martins, as mesmas especialidades e passará a ser considerado como hospital geral em vez de distrital. O empreendimento na Guarda, que o Ministério da Saúde entende ser construído junto à rotunda do Torrão, tem ainda previsto um investimento de 75 milhões de euros, estimando-se que a parte destinada aos concursos deste tipo de empreendimento possa durar no mínimo 18 meses enquanto a construção do edifício deverá demorar entre dois a três anos, prazo que irá variar consoante a dimensão do projecto.

Luis Martins

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