A população de Famalicão da Serra, no concelho da Guarda, está de atalaia desde o final da semana passada para evitar que os ladrões levem o que resta do antigo chafariz do Convento do Bom Jesus, do século XVII. «Já pouco podemos fazer, porque roubaram a parte mais importante e vistosa da estrutura», lamenta-se o presidente da Junta.
António Fontes diz que o roubo aconteceu na madrugada da última sexta-feira e que os larápios tiveram a vida facilitada e tempo suficiente para arrancar literalmente a torre central ornamentada com duas pias sem que ninguém desse conta. «Só ficou a base», refere. É que o convento fica a cerca de dois quilómetros da aldeia, no caminho rural para Valhelhas, e está «isolado e abandonado», indica. Por isso, o autarca interroga-se como é que «alguém pode salvaguardar e evitar que estas coisas aconteçam quando assim é». O roubo foi entretanto comunicado à GNR e à Câmara da Guarda, «por se tratar de património», esclarece. Mas as pistas são poucas e as suspeitas ainda menos: «Não deixaram grandes vestígios», revela António Fontes.
O chafariz foi doado à Junta de Freguesia na década de 60, que o retirou dos claustros do mosteiro para o colocar no exterior. O convento do Bom Jesus foi fundado em 1680 por D. Rodrigo de Castro, senhor de Valhelhas, no local onde, segundo a lenda, uma pastora encontrou uma imagem de Cristo crucificado. Albergou frades franciscanos, vindos da Guarda, até à extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834, altura em que foi destruído. Actualmente pertence a particulares, com excepção da igreja, propriedade da Diocese e palco anual, no último fim-de-semana de Setembro, da romaria mais importante da freguesia. O município da Guarda tentou recentemente classificá-lo como imóvel de interesse municipal, mas os vários proprietários dificultaram essa intenção exigindo «valores exorbitantes», recorda o presidente.



