A nova Biblioteca Municipal da Mêda vai ser inaugurada, hoje, pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
O edifício, projectado pelos arquitectos Mário Bernardo e António Fernandez, foi construído de raiz junto à Casa Municipal da Cultura e vai disponibilizar perto de 40 mil livros. Metade pertencem ao espólio da antiga estrutura, sendo que os restantes foram oferecidos, recentemente, por alguns beneméritos. É o caso de Augusto César de Carvalho, antigo presidente da autarquia e ex-Governador Civil da Guarda, que doou 15 mil volumes. A construção deste equipamento resulta de um contrato-programa, assinado em 2004, entre o município e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB). Na altura, metade do custo da obra – o investimento total é de um milhão de euros – foi assumido pelo Governo.
O edifício ocupa 2.416 metros quadrados, situa-se no Bairro do Barrocal e possui um parque de estacionamento subterrâneo com capacidade para 45 veículos. Haverá, igualmente, um espaço destinado aos serviços públicos, incluindo a secção de adultos e infantil, área polivalente, sanitários, área técnica, serviços internos, depósito de documentos, áreas de trabalho (técnico e administrativo), equipamento informático, entre outros. A infraestrutura vai dar emprego a meia dúzia de pessoas e disponibilizar serviços que a antiga biblioteca Gulbenkian não dispunha. Aliás, a nova integra a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e Municipais (RNBP), que pretende criar parcerias com os municípios para a instalação e modernização das bibliotecas públicas enquanto equipamentos considerados como infraestruturas de natureza sócio-cultural.
Sendo propriedade dos municípios, cada espaço integra secções diferenciadas para adultos e crianças e também áreas polivalentes para actividades de animação, colóquios, exposições, entre outros. Para além de colecções de livro e periódicos, as bibliotecas reúnem ainda documentos áudio, vídeo e multimédia. Na Mêda, este equipamento junta-se a um complexo cultural que a autarquia quer implementar na cidade com a Casa Municipal de Cultura – e as suas diversas valências – e um Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta, em fase de instalação. Na zona envolvente à biblioteca foram feitos arranjos urbanísticos, nomeadamente com a colocação de um monumento evocativo da elevação de Mêda a cidade, a 16 de Agosto deste ano. A cerimónia de inauguração está marcada para as 16h30. Meia hora depois é inaugurada a exposição de pintura de Mestre José Manuel Soares, na Casa Municipal da Cultura. Pelas 17h15 terá lugar uma sessão solene, presidida por Cavaco Silva, no anfiteatro do equipamento. À noite, pelas 20h30, actuará a Banda Musical de Pevidém (Guimarães).
A Sala Augusto César de Carvalho
Constituído por oito mil livros, na sua grande maioria escritos em português – embora se encontrem alguns em francês, inglês e latim -, o fundo documental da Sala Augusto César de Carvalho assume-se como um dos “pontos fortes” da nova Biblioteca.
Desde logo, merece destaque um fundo antigo de 150 volumes maioritariamente constituído por livros dos séculos XIX, XVIII e um do século XVII.
E não fosse Augusto César de Carvalho um notável jurista e advogado, algumas destas obras incidem, naturalmente, na vertente jurídica. São exemplos o “Código Civil de 1967” (edição de José Lourenço de Sousa), “Nobiliarchia, Tratado da nobreza hereditária e política” (1676, Oficcina der Francisco Villela), “Don Quixote de La Mancha”, Miguel Cervantes (parte segunda, edição ilustrada de 1736), “Os Miseráveis”, Vítor Hugo (segunda edição, 1864) ou vários livros de direito de Manoel de Almeida Sousa de Lobão, todos do século XIX. Merecem, ainda, destaque os volumes de grande dimensão da obra “Portugalliae Monumenta Cartografhica” com encadernação robusta em capa dura, que albergam uma colecção das mais antigas cartas portuguesas desenhadas no século XVI ou a edição manuscrita de “Os Lusíadas” – um trabalho colectivo editado no ano de 1898 por Silvestre Castanheira, por ocasião do quarto centenário do descobrimento da Índia e em que grandes personalidades da vida portuguesa, como o Rei D. Carlos, redigiram uma estrofe da obra. Estas colecções, dada a sua tipologia e antiguidade, vão ser objecto de consulta autorizada (reservados).
Augusto César de Carvalho é um ilustre medense. Para além de um importante advogado, foi administrador de algumas sociedades ligadas ao sector hoteleiro, bem como administrador da empresa “Nitratos de Portugal”, director geral e comercial da SACOR e presidente do Conselho Geral da Casa das Beiras, em Lisboa. Presidiu às Assembleias-Gerais de várias sociedades, cooperativas e associações. Foi presidente da Assembleia Municipal de Mêda entre 1982 e 1985, presidente da Câmara de Mêda e Governador Civil da Guarda.
“Ditosa Pátria Lusitana”
A Casa Municipal da Cultura tem patente, a partir de hoje e até 5 de Janeiro, a exposição “Ditosa Pátria Lusitana”, do mestre José Manuel Soares. A inauguração da mostra contará com a presença de Cavaco Silva e está agendada para as 17 horas. José Manuel Soares é natural de S. Teotónio, concelho de Odemira. Nasceu a 7 de Setembro de 1932, mas reside na Costa de Caparica, embora tenha uma galeria de pintura em Leiria. Notabilizou-se, desde cedo, na Pintura e tem exposto em todo o país. Para além disso, é ainda um dos grandes mestres da Banda Desenhada portuguesa. Colaborou em diversas revistas e jornais, como o “Diabrete”. “Cavaleiro Andante”, “Mundo de Aventuras”, “Pimpão”, “Fagulha”. “Lusitas”, “O Odemirense”, “Jornal de Almada”, “Diário do Norte”, entre outros. Entretanto, a Câmara da Mêda está a desenvolver negociações no sentido do município poder vir a ficar com a colecção de obras de arte do pintor. O espólio, constituído por mais de 300 quadros, está avaliado em mais de um milhão de euros.



