O Bloco de Esquerda (BE) vai desafiar os cabeças de lista dos restantes partidos e coligações que concorrem pelo círculo da Guarda a elaborar em conjunto um «manifesto e carta de intenções» em defesa da Maternidade da Guarda. Os bloquistas propõem ainda que os futuros deputados eleitos a 20 de Fevereiro assumam o compromisso de «salvaguardar sempre, na Assembleia da República, tais interesses». A proposta foi anunciada na semana passada, durante a apresentação da lista do BE, que assume como principais preocupações a manutenção da maternidade no Hospital Sousa Martins e o investimento num serviço de pediatria «capaz de dar apoio, sem sobressaltos, a todas as necessidades».
O elenco é liderado por Jorge Noutel, professor, acompanhado de José Vieira, funcionário judicial, Rita Azevedo, professora, e Marco Loureiro, estudante do ensino superior e elemento da juventude do Bloco. O grande objectivo da candidatura é conseguir um aumento de votação no distrito relativamente a 2002, mas sobretudo apresentar «propostas sérias e credíveis, sem demagogias, para demonstrar que o Bloco está ao lado daqueles que têm sido muito maltratados pelos últimos governos, nomeadamente os de Durão Barroso e Santana Lopes», disse Jorge Noutel, considerando que o distrito não mereceu deles «nenhuma atenção». O candidato acredita mesmo que esta é «a melhor lista de todas» no círculo eleitoral da Guarda. Já o manifesto eleitoral do BE assenta na constatação de que a Guarda tem sido um dos distritos «mais fustigados e prejudicados» do país pelo rumo «liberal e autoritário» da coligação PSD-PP que governa o país. O fim das SCUT e a introdução de portagens, os despedimentos e as falências e a intenção de encerrar a maternidade da Guarda, «em benefício do hospital SA da Cova da Beira», são alguns dos exemplos invocados.
De entre as propostas do BE para a Guarda sobressai a defesa de um novo hospital, «com equipamentos e recursos humanos adequados», mas também a qualificação do hospital de Seia. Os candidatos do Bloco exigem ainda a revogação do diploma que impõe a reorganização da rede escolar e determina o fim do 3.º ciclo nas actuais EB 2,3, propondo por outro lado o alargamento «efectivo» da escolaridade obrigatória para os 12 anos e sugerindo um plano distrital de erradicação do analfabetismo e da iliteracia no distrito. Em termos económicos e ambientais, o BE reclama medidas «concertadas» de reordenamento do território para tornar o distrito atractivo aos investidores e uma política macroeconómica que defenda as regiões do interior contra o flagelo da desertificação. Presente na sessão, o dirigente nacional Luís Fazenda, que visitou o Hospital Sousa Martins e a área Polis, insistiu na continuidade da maternidade e na necessidade de um novo hospital de raiz na Guarda, que considerou «absolutamente necessário» para a melhoria dos cuidados de saúde na região. Contudo, prefere o investimento público às parcerias público-privadas, criticando as recentes declarações do ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, e do PS nesta matéria. «Há expectativas acalentadas há muito tempo, pelo que não é aceitável que, de uma hora para a outra, por uma mera decisão política, tudo isso seja negado às populações da Guarda», disse. O médico Matos Godinho é o mandatário da lista, enquanto Teresa Correia foi escolhida para coordenadora da campanha.
Luis Martins



