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Arguidos do crime da Borralheira de Orjais em silêncio

Primeira sessão do julgamento da morte do homem que foi encontrado amarrado à grade de um café passou pelo local do crime

O Tribunal da Covilhã começou a julgar, na passada quinta-feira, o caso da morte de João Inácio, encontrado amarrado à grade de um café na Borralheira, em Outubro de 2007. A primeira sessão ficou marcada pelo silêncio dos cinco arguidos presentes, que optaram por não se pronunciar sobre os factos, e ainda por uma deslocação do colectivo de juízes ao local do crime.

Cinco homens e uma mulher, à data dos acontecimentos com idades compreendidas entre os 17 e 48 anos, estão a responder pelos crimes de exposição ou abandono e omissão de auxílio, sendo que quatro dos arguidos são ainda acusados de sequestro. Ou seja, parte dos arguidos terá amarrado a vítima, de 42 anos, e outros assistiram a tudo, sem que lhe tivessem prestado auxílio. Faltou a esta primeira sessão um sexto acusado, um cidadão brasileiro de 24 anos, que pediu suspensa de presença no tribunal, estando representado pela sua advogada. De acordo com a acusação, a morte de João Inácio deveu-se a «asfixia por aspiração de vómito próprio», apontando os exames laboratoriais feitos aquando da morte para uma taxa de álcool no sangue de 4,95 gramas/litro. O julgamento começou com a deslocação de juízes, técnicos judiciais, arguidos, advogados e testemunhas à Borralheira para «uma melhor compreensão» dos factos e do espaço onde morreu João Inácio, explicou aos jornalistas José Avelino, juiz-presidente do colectivo.

Os principais momentos daquela noite de 2007 foram recapitulados por um agente da Polícia Judiciária, desde o Café “Cunha”, onde a vítima começou a noite, a assistir ao jogo Sporting-Nacional, até ao Café “Regional”, mesmo em frente, para onde foi depois. Pelo meio houve explicações em relação às 30 garrafas pequenas de Martini vazias encontradas no local e à forma como foi amarrado, com cordéis, com um braço e uma perna atados a uma vitrina e à grade do café e os outros membros à jante de um carro. Uma alegada «brincadeira» que teve como autores três jovens, dois dos quais à época com 17 anos, um homem com debilidade mental – que na quinta-feira se recusou até a confirmar a sua identidade perante os juízes – e um casal de namorados que assistiu a tudo do interior de um carro. À tarde, os trabalhos regressaram ao Tribunal da Covilhã, onde foram ouvidas cinco das sete testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público.

A primeira a depor foi a sobrinha de João Inácio, Cátia Almeida, quem encontrou a vítima sem vida e sozinha na manhã do dia 28, por volta das 6 horas, quando saía do trabalho. A testemunha afirmou ter trocado «mais de uma dezenas de mensagens» via telemóvel nessa noite com um dos arguidos do processo. Seguiram-se os depoimentos do dono e da funcionária do café “Regional”, do namorado desta, e ainda de Jorge Pinto, que foi quem comprou e ofereceu as garrafas de Martini ao grupo. A empregada do café disse ter encerrado o estabelecimento por volta das 2h30, tendo ficado à conversa com a vítima e os arguidos no exterior até às 4 horas. E que quando abandonou o local, João Inácio não estava amarrado. Por sua vez, Jorge Pinto garantiu ter deixado o grupo pelas 2h30 e que só teve conhecimento do sucedido de manhã, quando a GNR o procurou em casa para o interrogar. Gastou nessa noite entre 60 a 70 euros na compra de 80 garrafas de Martini, para ganhar um blusão da marca, prémio que nunca chegou a levantar. O julgamento continua hoje com a inquirição das restantes duas testemunhas de acusação e ainda as da defesa, para além do perito da autópsia.

O julgamento, que envolve seis arguidos, continua hoje no Tribunal da Covilhã

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