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AMCB e Eco-Soros querem Central de Biomassa na Guarda

Candidatura do projecto terá que ser entregue até 19 de Setembro na Direcção-Geral de Geologia e Energia

A EnerArea – Agência Regional de Energia e Ambiente da Beira Interior, criada na Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) e a empresa Eco-Soros – Transformação de Soros Lácteos assinaram na última semana um protocolo de cooperação para a implementação de uma Central de Biomassa na área da Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE) da Guarda.

A candidatura do projecto terá que ser entregue até 19 de Setembro junto da Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE), no âmbito do concurso para Atribuição de Capacidade de Injecção de Potência na Rede do Sistema Eléctrico de Serviço Público e Ponto de Recepção Associado para Energia Eléctrica produzida em Central Termoeléctrica a Biomassa Florestal, aberto pelo Governo para o distrito. A Eco-Soros, que pretende ser das primeiras empresas a instalarem-se na PLIE, lidera a candidatura para a instalação de uma Central Termoeléctrica a Biomassa Florestal no distrito da Guarda com capacidade de produção até 10 MVA. A empresa celebrou protocolos com várias associações de produtores florestais e municípios dos distritos da Guarda e de Castelo Branco, com o objectivo de elaborar a candidatura ao concurso nacional lançado pelo Governo. João de Meneses Ferreira, presidente do Conselho de Administração da Eco-Soros, explica que a ideia desta candidatura surgiu após a empresa ter decidido instalar uma unidade de tratamento de soros lácteos na PLIE que exige «uma factura energética muito grande», uma vez que necessita de uma grande produção de vapor e um alto consumo eléctrico. O responsável acredita que, caso a proposta seja vencedora, não só será reduzida a factura de energia eléctrica, como também será aproveitado um recurso abundante na região, a biomassa florestal.

É assim uma espécie de «juntar o útil ao agradável», como realçou José Manuel Biscaia, presidente da AMCB. É que deste modo, a Eco-Soros consegue poupar nos custos energéticos da sua laboração, ao mesmo tempo que a matéria-prima florestal existente na região é utilizada na produção de energia, o que também ajuda a prevenir os incêndios. Apesar da forte concorrência, João de Meneses Ferreira garante que o projecto da central da Guarda é «bom» e que esta pode ser uma proposta «ganhadora». Contudo, caso não vença, os restantes parceiros, como as autarquias e as associações de produtores florestais, terão toda a liberdade «para dialogar com quem vier a ganhar o concurso», frisa. Isto porque os concursos «ganham-se e perdem-se e nunca nos passou pela cabeça dizer que ou ganhamos nós ou aqueles que estão connosco ficarão impedidos de fazer seja o que for com quem ganhar o concurso. Achamos que temos hipóteses de ganhar, mas os municípios e associações cá estarão para colaborar com quem ganhar o concurso», realça.

Já José Manuel Biscaia realça a importância da criação da Central Termoeléctrica a Biomassa, pelo facto de incentivar a limpeza das florestas, mas também porque permite aproveitar «um recurso subaproveitado» e fazer o tratamento de um resíduo «muito difícil de debelar» como são os soros lácteos. Para o presidente da AMCB, o desenvolvimento regional «também passa por estas parcerias público-privadas». Também Joaquim Valente, presidente da Câmara da Guarda, ficou satisfeito com este anúncio, uma vez que este é um projecto «importantíssimo para fazer face aos fogos florestais». Entre a Central de Biomassa e a unidade de transformação final de resíduos lácteos da Guarda, juntamente com quatro centros de recolha localizados em vários pontos do país como Borba, Chamusca, Malveira e Vale de Cambra, a Eco-Soros prevê gastar cerca de 40 milhões de euros, sendo que a maior parte será canalizada para a cidade mais alta. De resto, independentemente dos resultados da candidatura, João de Meneses Ferreira garante que a unidade de transformação final de resíduos lácteos da Eco-Soros vai mesmo instalar-se na PLIE da Guarda.

Ricardo Cordeiro

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