Por ocasião do Dia Mundial da Água, a Guarda recebeu um “presente envenenado” ao ser considerada das regiões com pior qualidade de água potável, segundo a análise do relatório da qualidade da água do Ministério do Ambiente, publicada na passada segunda-feira no “Diário de Notícias”. O documento oficial de síntese dos resultados da qualidade da água de 2002 revelou que quase 430 mil portugueses foram abastecidos, naquele ano, com água bacteriologicamente contaminada e cerca de 90 mil beberam água com excesso de nitratos. Assim, no topo das regiões com pior qualidade de água surgem a Madeira, Açores, Bragança, Guarda e Vila Real. Nalguns concelhos existem também casos de excesso de metais pesados e pesticidas, nomeadamente, na região da Beira Interior onde se distinguem níveis elevados de arsénico, por exemplo, na água do Fundão. Em 2002, no que diz respeito aos coliformes totais – que permitem aferir se a água está contaminada com esgotos, mesmo humanos –, 15 municípios apresentaram mais de 50 por cento das análises com contaminações, dos quais se destaca Almeida, com 61,3 por cento. No distrito de Bragança, quase uma em cada três análises confirmaram contaminações, enquanto que em Vila Real e Guarda rondaram os 25 por cento. De realçar que os índices de contaminação em 2002 são semelhantes aos de 1993, ano em que se iniciaram os relatórios. E apesar da lei prever penalizações, em casos de incumprimento que podem atingir cerca de 45 mil euros, estas nunca foram aplicadas.



