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A dura realidade do interior

Crónica Política

No interior do pais vivem-se tempos difíceis. E os novos amanhãs que se anunciam não são de tempos mais fáceis.

Somos cada vez menos. Menos jovens, menos gente, menos empresas, menos emprego, menos mercado. A vida coletiva e a vida que acontece a cada um é assim mais difícil e mais incerta.

Parece, até, que os ventos da história vêm soprando contra as nossas convicções. Há muito tempo que a montanha se revelou uma maldição para os homens e mulheres que aqui vivem e permanecem. Muitas vezes nos anunciaram e prometeram tempos mais fáceis, em contextos de políticas de expansão, mas a dura realidade do interior desacreditou a bondade de todas as intenções.

No último Censo (2001 a 2011) da população portuguesa verificou-se que todo o distrito da Guarda perdeu gente. Foi tão grave que só os concelhos da Guarda e Trancoso é que perderam menos de 10% da população! A desertificação do interior é assim o maior problema do nosso tempo. E este é um tempo de muitos desafios!

Um desafio para o Governo, para a administração desconcentrada, para as Câmaras Municipais e para os deputados. Mas, e também, um desafio para todos nós. Um desafio à nossa capacidade, à nossa ambição, à nossa resistência e à nossa clarividência.

Este é um tempo de grande exigência.

O tempo da preparação e da desculpa já passou. Não é, por isso, um tempo para os fracos, para os impreparados ou para os indecisos. A indecisão, aliás, não pode demorar mais do que a urgência.

Porque o tempo passa. Não espera, não reconsidera, não cura as culpas de ninguém, simplesmente passa.

Mas este é também um tempo novo, um tempo de mais exigência, de maior consciência coletiva, de menor tolerância, de mais justiça, de mais rigor.

É tempo de não deixar que os amanhãs simplesmente nos aconteçam, sempre diferentes do que sonhamos.

É tempo!

Por: Júlio Sarmento

* Antigo presidente da Câmara de Trancoso e ex-líder da Distrital da Guarda do PSD

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