Oitenta e dois vinhos da Beira Interior estiveram à prova para o nono concurso promovido pela Comissão Vitivinícola, NERGA (Associação Empresarial da Região da Guarda) e Associação Empresarial da Beira Baixa (AEBB).
Vinhos tranquilos ou espumantes, tintos, brancos ou rosados, classificados como DOC Beira Interior ou como Vinho Regional Terras da Beira, de 28 produtores foram avaliados nas provas cegas que decorreram sexta-feira e no sábado no futuro Museu de Arte Sacra, na Guarda. Segundo Aníbal Coutinho, «os elementos do júri não sabiam o que estavam a provar. Sabiam apenas a data da colheita, se era um DOC ou um regional e a cor do vinho». O presidente do júri revelou que nesta nona edição «foram atribuídas, pela primeira vez, notas de 100 pontos (pontuação máxima) a alguns vinhos, que dependendo da média, podem baixar». No entanto, o especialista confessa que «é gratificante ver uma ficha de prova com 100 pontos». Para Aníbal Coutinho, «o vinho da Beira Interior continua a ter um consumo local importante mas ainda falta atingir as capitais, incluindo-o em todas as cartas de vinho de restaurantes e em todos os supermercados. É um longo caminho que ainda falta percorrer mas para o qual não falta qualidade», garante.
Do júri fizeram parte 15 elementos, entre eles, representantes de outras regiões vitivinícolas, da imprensa, de agências de comunicação, da restauração e hotelaria regionais, bem como dois provadores espanhóis. Os resultados do concurso serão divulgados no dia 2 de julho, durante um jantar de gala a decorrer no castelo do Sabugal, onde serão atribuídas as medalhas de ouro, prata e ainda a Grande Medalha de Ouro para o melhor vinho da Beira Interior. Sobre o futuro do concurso, Aníbal Coutinho adianta que «o mais difícil de concretizar são as primeiras três edições, uma vez que já estamos na nona, a partir de agora é sempre a melhorar». Depois do sucesso desta iniciativa, o presidente do NERGA anunciou a intenção de promover em 2017 um concurso de azeites biológicos produzidos na região. «A Associação Empresarial quer replicar este conceito porque há bons azeites no distrito da Guarda e na região que é necessário promover, o que contamos fazer em colaboração com a Associação de Agricultores para a Produção Integrada de Frutos de Montanha (APPIM) e com a Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior», afirmou Pedro Tavares.
Vendas crescem 5,6 por cento
Em 2015, as vendas de vinhos da Beira Interior cresceram 5,6 por cento relativamente ao ano anterior, revelou Rodolfo Queirós.
Segundo o enólogo e diretor técnico da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), «no ano passado foram vendidas cerca de quatro milhões de garrafas, mais 380 mil que em 2014, o que demonstra que os nosso vinhos têm obtido um apreciável prestígio no mercado interno e internacional». Os vinhos estão a ser comercializados para França, Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, Brasil, Angola e Japão, mas também para a China e a Coreia do Sul. A CVRBI abrange as zonas vitivinícolas de Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira, nos distritos de Guarda e Castelo Branco, onde existem 52 produtores, sendo cinco adegas cooperativas.
Patrícia Garrido



