A Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE) da Guarda vai mesmo ter uma ligação ferroviária à linha da Beira Alta. A garantia foi dada na sexta-feira passada pela secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que apresentou o projecto da modernização do troço Castelo Branco/Covilhã/Guarda, um investimento de 150 milhões de euros que vai permitir reduzir o tempo de viagem entre as duas capitais de distrito. Nesta visita à Guarda, a governante teve oportunidade de desfrutar de uma “emocionante” e “saltitante” viagem numa drezina até à Estação da Benespera.
A secretária de Estado dos Transportes realçou a importância que as acessibilidades ferroviárias e rodoviárias assumem no sucesso das plataformas logísticas, considerando a PLIE como uma das que são «prioritárias no país», realçou depois de uma reunião com o presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Guerreiro. Em relação à ligação ferroviária ao projecto que, finalmente, arrancou no terreno nas últimas semanas, a governante sublinhou que «vamos, a muito curto prazo, tentar encontrar uma solução física e tecnicamente viável da linha da Beira Alta à PLIE como forma de viabilizar essa plataforma», frisou. Aliás, a REFER «assumiu o compromisso de, no mais curto espaço de tempo, me apresentar uma solução que seja técnica e financeiramente viável para que depois, juntamente com a Câmara da Guarda, possamos enquadrar e calendarizar a intervenção», explicou. O estudo de viabilidade, que a REFER se terá comprometido a elaborar, deverá ficar concluído dentro de dois meses, estimando-se que a obra possa avançar dentro de um ano: «Se houver viabilidade física partiremos então para o concurso para o projecto e depois do concurso há obra, o que quer dizer que estamos a falar no prazo de um ano, no mínimo, para iniciar a obra», frisou. Satisfeito com a receptividade demonstrada pela secretária de Estado ficou Álvaro Guerreiro, presidente da autarquia e do Conselho de Administração da sociedade PLIE, que considera que a ligação ferroviária é «fundamental», já que «fecha completamente o ciclo de acessibilidades de que a PLIE deve beneficiar para ser potencializada no máximo dos objectivos», sublinha. No entanto, o edil ressalva que o apoio governamental é «imprescindível» para a conclusão de obra e para a «potenciação máxima do investimento», assume, destacando a necessidade de «fechar o projecto em todas as suas complementaridades». Isto porque as acessibilidades são o «tronco essencial» do processo porque sem elas «não há logística» que, por sua vez, é «um dos eixos prioritários e fundamentais para o desenvolvimento do país», assegura.
Modernização da linha da Beira Baixa «vai reforçar centralidade da Guarda»
Por outro lado, Ana Paula Vitorino considerou que a modernização da linha da Beira Baixa «vai reforçar a centralidade da Guarda em termos de ligações ferroviárias a Espanha» e, simultaneamente, «potenciar o desenvolvimento de todo este eixo» e que será «ainda mais reforçado devido à decisão de investimento do Governo na ligação entre o porto de Aveiro e a linha do norte», indica. A governante adiantou ainda que «está decidido que teremos na rede convencional um eixo que liga o porto de Aveiro à Guarda, a Salamanca e ao resto de Espanha» e que vai «reforçar ainda mais a centralidade da Guarda na rede ferroviária nacional e de todo o transporte de mercadorias das regiões Centro e Norte do país», reforçou.
A modernização da linha da Beira Baixa fará com que em 2008, a viagem de comboio entre Castelo Branco e a Guarda vai demorar apenas 32 minutos, o que significa um ganho de tempo de 45 minutos, possível devido ao aumento da velocidade média de circulação (de 80 para 100 km/h). A empreitada consiste na electrificação do troço Castelo Branco/Covilhã/Guarda, com 117 quilómetros de extensão, mas também na rectificação do traçado e eliminação de 56 passagens de nível, num investimento de cerca de 150 milhões de euros. Igualmente prevista está a melhoria das acessibilidades a 19 estações/apeadeiros, bem como a remodelação de algumas delas, a construção de seis novas pontes e o reforço do túnel do Sabugal, com uma extensão de 398 metros. A médio prazo, prevê-se ainda a circulação de comboios pendulares.
Ricardo Cordeiro



