Comemorar o Dia Mundial de Teatro é a afirmação que esta arte com mais de dois mil anos continua a acompanhar o homem, as suas preocupações, as suas lutas e também as suas alegrias. Por isso o teatro e a realidade não definem fronteiras. A institucionalização deste Dia Mundial, faz com que o teatro seja objecto de um tratamento especial uma vez por ano. Mas o Teatro necessita que esta realidade seja diária, que o público tenha conhecimento do que ao longo do país dezenas de companhias produzem. E por isso o Dia Mundial do Teatro é também um dia de festa. Um dia para que a festa aconteça entre quem faz e quem vê teatro.
Um dia para relembrar o trabalho que encenadores, técnicos e actores desenvolvem na criação de novos espectáculos durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano.
Um dia para reflectir também sobre o longo caminho que ainda falta percorrer na democratização do acesso à cultura, e em particular ao teatro. O que falta fazer para que todos os alunos das nossas escolas tenham igualdade de oportunidades e possam desde a sua infância ser espectadores de teatro, como acontece nos grandes centros urbanos. E se é verdade que o 25 de Abril permitiu o desenvolvimento do teatro e a sua descentralização, é também importante que se reflicta sobre o que não conseguimos fazer nestes últimos trinta anos. E falo claro da Beira Interior. Uma Beira cada vez mais desertificada, mas onde apesar de tudo houve por parte de muitas autarquias uma aposta na criação de estruturas e de programações que permitiram às suas populações o acesso ao espectáculo de teatro. Os novos espaços vieram proporcionar uma maior apetência pelas artes de palco, e por isso sem esquecer as dificuldades das Companhias de teatro, inerentes a um fraco investimento do Estado na cultura, é também de sublinhar as dezenas de espectáculos que anualmente acontecem um pouco por toda a Beira Interior.
E o sucesso do investimento feito por algumas autarquias pode bem ser o exemplo para outras, para que a nossa região seja cada vez menos periférica, e mais europeia, onde a cultura e o teatro façam parte duma memória colectiva que todos desejamos para a nossa Beira Interior.
Fernando Sena, Director do Teatro das Beiras



