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Diário (típico) de um OINK*

Observatório de Ornitorrincos

Sábado

Cabrão de diário,

(Um oink que se preze não trata ninguém por “querido”, muito menos o próprio diário. A bem dizer, um oink não tem diário. Isto é só uma invenção para continuar a manter a página no jornal até algum dia ter assuntos mesmo sérios para contar aos leitores.)

um amigo casado, depois de um dia inteiro nas cerimónias nupciais de alguém (noite não incluída), envia-me uma mensagem escrita: “Os casamentos são uma seca”. Sem me lembrar que ele estava no copo-de-água, respondi: “E a tua mulher não é das piores…”.

Domingo

Sabes, meu sacana,

o futebol começou na Sport TV às 14 horas e só acabou na TVI por volta das 2. A melhor série da Playboy passou no intervalo entre dois jogos. Aposto que foi um gajo solteiro, que não precisa de se levantar de manhã nem tem de gramar os filmes de domingo à tarde da SIC, que programou isto assim, de forma tão harmoniosa.

Segunda

Meu diário palermóide,

houve um ministro que se demitiu do governo por falta de lealdade e de coordenação. Parece-me serem também essas as razões principais dos divórcios contemporâneos.

Terça

Nem imaginas, palhaço de papel,

hoje apercebi-me que assim como há quem se case por estar farto dos pais, também há quem o não faça porque se é para ouvir sermões e queixas, sempre se está mais habituado aos da mãe. E além disso, há sempre desculpas para desligar o telefone.

Quarta

Ouve esta, diário imbecil:

numa conversa amena de café (para ser mais rigoroso deveria ter escrito “pastelaria”) um amigo com problemas de catequese perguntou-me se eu reprovava o sexo pré-matrimonial. Eu fiquei espantado com a pergunta. Ou melhor, com o pleonasmo.

Quinta

Hoje, meu grandessíssimo galhofeiro,

é dia de sair com mais um ou dois oink’s. Vários oink’s juntos à noite são uma mistura de Indiana Jones com Bridget Jones. É a “Jones Night Out”.

Sexta

É curioso, diário rabeta,

ver o ciúme mútuo entre solteiros e casados (e utilizo as expressões como categorias sociológicas de forma indiscriminada, como nos clássicos jogos de futebol nos dias de festa nas aldeias). Os casados vêem nos solteiros a liberdade de sair à noite, de escolher o canal de televisão e de limpar as mãos aos cortinados, que sabem perdida para sempre (ou até ao divórcio). Por outro lado, os oink’s invejam a companhia ao serão, a cama quente e a hipótese de ter uma cunhada boazona a dormir lá em casa.

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* O.I.N.K. – do inglês One Income, No Kids, designação própria para rapazes com rendimento profissional, solteiros e sem descendência.

Por: Nuno Amaral Jerónimo

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