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Exército é mais uma opção para a vida profissional de muitos jovens

Centro de Recrutamento de Viseu esteve na Guarda a promover o regime de Contrato e Voluntariado

Na semana em que terminou oficialmente o Serviço Militar Obrigatório (SMO), o Exército português, através do Centro de Recrutamento de Viseu, esteve no Centro de Emprego da Guarda para dar a conhecer a nova realidade e cativar os jovens, agora que “ir à tropa” deixou de ser uma obrigação. Oferecendo um variado leque de incentivos, tanto a nível económico, como em termos de formação académica, o Exército surge assim como mais uma oportunidade de carreira que os jovens deverão ter em conta.

Aliás, a campanha de divulgação do Centro de Recrutamento de Viseu está a ser mesmo bem sucedida, havendo muitos jovens a manifestarem um potencial interesse em aderir à prestação do serviço militar. Apesar do SMO só ter terminado oficialmente na última sexta-feira, desde o Verão que não há nas fileiras do Exército «nenhum militar a cumprir serviço efectivo normal», explica o capitão António Ferreira. Passando por uma «fase de transição para o regime de Contrato e Voluntariado», o Exército esteve na Guarda para «informar os jovens sobre todos os incentivos e regalias que podem usufruir com a prestação do serviço militar». De resto, a adesão no distrito da Guarda tem sido «bastante significativa», garante, sublinhando que o Exército coloca à disposição dos jovens «uma série de apoios». Incitamentos que vão desde a obtenção de mais habilitações literárias, permitida pela continuação dos estudos, à formação profissional, que, por sua vez, lhes proporcionam «melhores condições» caso optem por ingressar nos quadros das Forças Armadas, Função Pública, GNR, PSP e até no Ensino Superior Público. Deste modo, para além da «valorização pessoal, intelectual e profissional», os jovens podem ainda, através «da prestação de serviço ao Exército, e à nação em si, obter muito boas condições para a preparação da sua futura vida profissional», garante o militar.

Argumentos que fazem com que a adesão, em termos de efectivos, ao Centro de Recrutamento de Viseu, cuja área de jurisdição abrange 35 concelhos dos distritos da Guarda, Viseu e alguns de Aveiro, esteja a ser «bastante superior à expectativa», daí que o limite máximo para o regime de Contrato/Voluntariado venha a ser atingido «dentro de pouco tempo», realça. Fazendo uma campanha «concelho a concelho», o Exército tem suscitado uma «resposta muito positiva», considera António Ferreira. Neste sentido, o Centro de Recrutamento de Viseu esteve representado recentemente na Expomêda, uma presença «muito positiva» a atestar pelos «muitos jovens» que mostraram interesse em aderir ao serviço militar. Mas as chefias do centro continuam a procurar «criar linhas de comunicação mais eficazes que dêem uma resposta mais clara e rápida aos jovens». O capitão António Ferreira esclarece que este regime se inicia com um contrato de dois anos, que pode ser renovado anualmente até um total de seis. Contudo, durante estes anos os jovens dispõem de uma «série de opções que lhes podem permitir uma melhor preparação para a sua futura vida profissional e é esse o grande atractivo desta prestação de serviço», destaca.

Jorge Reis e Tiago Monteiro, ambos desempregados, são dois dos jovens que mostraram interesse em seguir esta via, apesar de ainda terem algumas dúvidas. O primeiro, de 18 anos, reside em Gonçalo, e diz que ainda vai «pensar melhor sobre esta situação», mas até já sabe qual o ramo para onde gostaria de seguir: «Gostaria bastante de entrar na secção de máquinas, porque é uma coisa que gosto de fazer», refere. Já Tiago Monteiro, residente na Guarda, garante que «se estivesse mais perto de casa até ingressava na vida militar, visto que têm bons incentivos para quem quiser continuar a estudar». O jovem, de 22 anos, ainda vai «ponderar melhor» sobre o seu futuro, até porque cumpriu o serviço militar no Alentejo e nessa altura debateu-se com o facto dos transportes serem «muito complicados».

Ricardo Cordeiro

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