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Parque Natural da Serra da Estrela com a menor área ardida de sempre

Últimas semanas da época de incêndios colocaram distrito da Guarda como o quarto com maior área ardida do país

A área ardida registada este ano no Parque Natural da Serra da Estrela é a mais baixa da história daquela área protegida, a maior do país com 110 mil hectares. Desde o início do ano, as chamas apenas consumiram 310 hectares, um resultado recorde e sem paralelo desde a criação do parque, em Julho de 1976, o que, segundo o director Fernando Matos, se ficou a dever ao reforço da vigilância da floresta e às condições atmosféricas favoráveis registadas em Agosto. Um cenário que contrasta, no entanto, com os últimos números dos fogos florestais registados na Guarda, que terminou a época no quarto lugar dos distritos com maior área ardida do país.

Este dado é histórico no Parque Natural da Serra da Estrela, onde «não há registo de um valor tão baixo» de incêndios e de área ardida desde a sua criação, refere Fernando Matos, também satisfeito por as ocorrências verificadas este ano não terem destruído áreas protegidas de primeira prioridade, como a reserva biogenética. Segundo o director do PNSE, este «excelente» resultado terá ficado a dever-se ao plano de vigilância da floresta posto em prática e que envolveu 45 elementos do parque, Direcção-Geral de Florestas e associações de produtores florestais com quem foram estabelecidos protocolos de cooperação. Por outro lado, o último Verão registou a entrada em funcionamento do tão esperado equipamento de videovigilância, instalado na zona de Manteigas. Trata-se de uma tecnologia que permite uma rápida detecção de focos de incêndio, mesmo durante a noite graças a um sistema de infravermelhos, e que funcionou na Serra da Estrela em regime experimental, podendo agora ser utilizado noutras áreas protegidas do país. Finalmente, o tempo também ajudou, já que a chuva e o clima ameno registado em Agosto tiveram um papel «importante» na redução do risco de incêndios.

Fernando Matos adianta ainda que o índice de área ardida mais baixo registado até agora ocorreu há cerca de 15 anos, quando foram consumidos pelas chamas 500 hectares do parque. Inversamente, o ano «mais catastrófico de sempre» verificou-se em 2004 com o registo de 5.500 hectares ardidos. Pela primeira vez também nas últimas décadas, o concelho da Guarda foi este ano a zona do PNSE com mais área ardida, tendo sido pasto dos fogos cerca de 265 hectares. A nível distrital, o final da época de incêndios foi devastador, já que se assistiu ao regresso em força das chamas nas últimas semanas de Setembro e no princípio de Outubro. O tempo seco e as altas temperaturas registadas no arranque do Outono proporcionaram o ambiente ideal para o surgimento de vários fogos de algumas proporções de Norte a Sul do distrito. Um cenário que levou o delegado do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) da Guarda, António Fonseca, a suspeitar que a maioria destes sinistros possam ter ficado a dever-se a queimadas provocadas por pastores. Suspeitas à parte, as estatísticas não mentem e a área ardida na Guarda aumentou 406 hectares no espaço de uma semana. Os últimos dados da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, divulgados na passada sexta-feira, atribuem agora 9.206 hectares ardidos no distrito, enquanto o relatório anterior, para o período compreendido entre 1 de Janeiro e 26 de Setembro, referia perto de 8.800 hectares. Por isso o distrito da Guarda acabou por ultrapassar o vizinho Castelo Branco e fechou a época de fogos florestais como o quarto do país com a maior área ardida, depois de Faro (30.678 hectares), o mais elevado, Beja (12.209) e Vila Real (11.591).

Luis Martins

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