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Funcionário detido por abuso sexual de doentes na Psiquiatria da Guarda

PJ já identificou cinco alegadas vítimas, com idades entre os 30 e 49 anos, mas a investigação prossegue para descobrir se houve mais mulheres abusadas nos últimos três meses

O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda instaurou um processo de inquérito à conduta do auxiliar de ação médica suspeito de abuso sexual de várias utentes internadas no Departamento de Psiquiatria do Hospital Sousa Martins.

O funcionário de 59 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) no fim-de-semana após denúncia da ULS às autoridades por «alegados comportamentos anómalos» naquele serviço. Segundo o Departamento de Investigação Criminal da Guarda, recaem sobre o indivíduo «fortes suspeitas da autoria de vários crimes de abuso sexual de pessoas internadas», ocorridos entre agosto deste ano e a última sexta-feira, «sendo vítimas várias mulheres utentes do Departamento de Psiquiatria». Fonte da PJ adiantou que já foram identificadas, «até ao momento», cinco alegadas vítimas, com idades entre os 30 e 49 anos, Mas a investigação prossegue porque não há a possibilidade de ter havido mais mulheres abusadas.

O detido, que nega os factos que lhe são imputados, foi presente a tribunal na segunda-feira e saiu em liberdade mas ficou sujeito a apresentações diárias. O indivíduo foi ainda suspenso de funções e está proibido de contactos com as vítimas, estando também obrigado a ter acompanhamento psiquiátrico. Ao que O INTERIOR apurou, o caso foi despoletado na noite de sexta-feira quando uma enfermeira evitou que uma mulher internada na Psiquiatria tentasse o suicídio com o cinto do robe. Na altura, outra doente terá revelado que esta atitude estaria relacionada com os alegados abusos sexuais de que seriam vítimas essa e mais mulheres daquele departamento. O autor seria alegadamente o auxiliar de 59 anos que tinha chegado ao serviço em agosto vindo da medicina interna.

No dia seguinte, a PJ ouviu as doentes da Psiquiatria e reuniu «indícios fortes e convincentes» dos atos a que terão sido alegadamente sujeitas, como apalpões, carícias, sexo oral e até violação. A Judiciária apurou ainda que os abusos terão ocorrido no turno da noite, quando há menos pessoas no serviço. O suspeito não tem antecedentes criminais, é casado, tem filhos e levava uma vida aparentemente banal. Questionado pelos jornalistas sobre o caso, em Lisboa, à margem da cerimónia do aniversário do Hospital Dona Estefânia, o ministro da Saúde revelou ter sido informado do caso há dois dias. «Trata-se um caso lamentável sobre o qual tem de se agir em matéria disciplinar e de investigação. Não tenho muito mais informação a não ser a determinação de que seja investigado e apuradas as responsabilidades», declarou Adalberto Campos Fernandes.

Luis Martins Suspeito de 59 anos ficou em liberdade, mas sujeito a apresentações diárias, e está obrigado a ter acompanhamento psiquiátrico, entre outras medidas de coação

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