Numa pesquisa rápida na internet com a palavra “primogénito” dei com um artigo de Vance Packard no Portal da Família onde reflete acerca d’ «o irmão mais novo, o mais velho e o do meio», referindo que «uma grande variedade» de estudos feitos por pesquisadores americanos tem procurado uma relação entre a ordem do nascimento e a fama e o génio. Stanley Schachter, behaviorista da Universidade de Colúmbia, resume esses estudos dizendo que os primogénitos predominam “com espantosa frequência”. Dos 23 primeiros astronautas que participaram em missões espaciais norte-americanas, 21 eram ou filhos mais velhos ou filhos únicos. Uma recente análise de 1.618 finalistas das Bolsas Nacionais do Mérito mostrou que quase 60% deles eram primogénitos.
Não se conhece qualquer prova convincente de que os primogénitos tenham maior poder intelectual. O que acontece é que a maneira como muitas vezes são criados os torna mais estudiosos e mais orientados para o sucesso» – disse.
De facto parece-me que os progenitores tendem a ser mais exigentes com os filhos mais velhos e a responsabilizá-los desde muito cedo, nomeadamente quando lhes cabe tomar conta do irmão ou irmãos que vieram depois. E é este sentido de responsabilidade que transita para as outras faces da vida e faz deles, a maior parte das vezes, bons alunos com possibilidade de acederem a cursos superiores mais bem pagos e a serem bons profissionais.
E é esta fasquia elevada colocada pelo mais velho que tende a ensombrar a vida académica, e não só, dos outros irmãos. Quer por culpa dos pais, porque “tens que ser como o teu irmão”, dos professores, porque “põe os olhos no teu irmão e aplica-te” e dos próprios, porque “nunca vou conseguir ser como o meu irmão”. A ansiedade por resultados equivalentes aos do primogénito dificulta o percurso destes filhos e traz-lhes algum grau de infelicidade e alguma falta de autoestima e confiança.
Tenho alguns anos de ensino e já vi a história repetir-se muitas vezes. Tive várias vezes no mesmo ano letivo ou em anos diferentes irmãos em turmas e tive sempre o cuidado de nunca fazer comparações do tipo: “Devias era estudar como o teu irmão” ou “Põe os olhos nele” ou “Não lhe chegas aos calcanhares”. Não há nada que magoe ou desmotive mais um aluno do que compará-lo com um irmão mais velho de sucesso. Isso pode levá-los a “deitar a toalha ao chão” e a aceitar o destino muitas vezes já traçado por eles sub-repticiamente nas profundezas da sua consciência durante a infância. Ora isto é a chave para o insucesso. Se há pais ou professores que nunca o fazem, a maior parte, conscientemente ou não, acaba por fazê-lo e isso vai minando a crença na capacidade do próprio.
Há irmãos que pelos motivos acima descritos não atingem os seus objetivos mas que não é por falta de capacidades. Vi em muitos rebeldia e aparente infantilidade, mas também lhes vi capacidade de raciocínio à velocidade da luz e respostas brilhantes quando o resto da turma ficou em branco. É por isso de extrema importância nesses momentos aproveitar para lhes dar os parabéns e ajudá-los a perceber que podem ser muito bons e a ultrapassar esse ónus criado por vários atores de serem os “segundos” em tudo na vida.
É por tudo isto que em conjunto, pais e professores, mas também restantes familiares, deverão dar todo o incentivo e reforçar os sucessos destes filhos e alunos e, quando as coisas não correrem bem, dar-lhes conforto e motivá-los para continuarem a trabalhar.
Por: José Carlos Lopes


