A Adega Cooperativa de Pinhel comemora este ano o 65º aniversário. Agostinho Monteiro está na presidência desde 2006 e os seus mandatos ficam marcados pela aposta na qualidade, projetos e modernização da instituição.
«Quem conheceu a adega em 2006 e quem vem aqui hoje, facilmente se apercebe que não é a mesma», considera o presidente da direção, para quem «o objetivo primordial desta direção é trabalhar para criar condições para tratarmos bem e vinificarmos bem as uvas que os nossos agricultores produzem». Entre as obras mais recentes estão investimentos na ampliação e aquisição da central de frio: «Quando assumi funções a adega tinha 32 cubas de fermentação com frio, hoje possui 90. De brancos havia oito cubas de fermentação com frio e passou a haver 32», quantifica Agostinho Monteiro. Mas nem só a fermentação com frio e o aumento da capacidade fazem parte das preocupações da direção, também o tratamento da uva antes de ser fermentada é importante. Foi por isso que, recentemente, foi instalado um dos mais modernos sistemas de decantação e filtragem de vinhos do país, que se repercute ao nível do enchimento e engarrafamento de qualidade. De acordo com o presidente, trata-se de um equipamento «que separa imediatamente a matéria sólida da matéria líquida, permitindo que as uvas, ao chegarem à adega, sejam imediatamente transformadas. O processo é tão rapido que garante toda a frescura e qualidade do vinho», adianta. Além disso, «alguma impureza que fique passa logo por um processo de flutuação e é retirada imediatamente deixando o vinho completamente limpo», acrescenta o presidente da Cooperativa.
Outro dos projetos levados a cabo pela atual direção está no melhoramento do sistema de filtragem, com a aquisição de um filtro tangencial para tratar e respeitar a qualidade do vinho (no valor de 120 mil euros), e ainda um filtro de vácuo. Também os tegões foram renovados, obtendo desengaçadores novos e modernos. O sistema de análise no laboratório também sofreu algumas mudanças, através da obtenção de equipamentos atuais que permitem que o enólogo consiga analisar vários parâmetros do vinho em poucos minutos. Foi adquirida uma linha de engarrafamento de “bag in box” e respetivas máquinas. Recuperaram-se ainda cerca de 50 cubas de 35 a 40 mil litros, o que melhorou a capacidade de armazenagem para 2 milhões de litros. Entretanto, a Adega de Pinhel está a concretizar um novo investimento, que estará concluído ainda este mês. «Estamos a construir um armazém com 1.700 metros quadrados com melhores condições de organização e de humidade, onde vamos centralizar toda a área de produto acabado e engarrafado. Todas as nossa linhas e todos os produtos que vamos fazer vão ficar nesse armazém», revela Agostinho Monteiro, adiantando que a obra se encontra «nos acabamentos finais, pormenores de eletricidade, de chão e de acabamentos».
Sobre os apoios para os projetos, o presidente afirma que foram financiados, através da apresentação de candidaturas ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, e ao ProDeR – Programa de Desenvolvimento Rural. Além das obras já concretizadas, foi apresentada uma candidatura ao “Portugal 2020”, que se encontra em fase de análise. Segundo Agostinho Monteiro, trata-se do melhoramento de «algumas infraestruturas, bem como a criação de uma termovinificação e a reestruturação interna de alguns equipamentos». Apesar de ainda não haver uma resposta por parte do “Portugal 2020”, «já foi comprada uma central de frio que nos dá resposta ao aumento de cubas de fermentação, no valor de 110 mil euros». Em época de mudança também a imagem da adega foi transformada, tendo sido alterados todos os rótulos com o objetivo de aumentar ainda mais a qualidade. Para o presidente, «a Adega de Pinhel só está desta forma porque se investiu e se modernizou». Atualmente, a instituição conta com cerca de 1.500 sócios ativos.
Para assinalar os 65 anos, a Adega Cooperativa vai lançar um vinho tinto com um rótulo diferente, cujo nome será “65 anos”. Na parte da frente constará a ata dos constituintes e o contra rótulo será elaborado de acordo com as regras de rotulagem e certificação. Agostinho Monteiro espera que o produto esteja disponível ao público após a época de vindimas, já a partir de novembro.
Qualidade dos vinhos pinhelenses chega ao estrangeiro
A Adega Cooperativa de Pinhel, conhecida pela qualidade dos seus vinhos, possui marcas como D. João I, D. Manuel I e Varandas do Castelo.
Além dos vários locais onde se encontram em Portugal, os produtos já chegaram ao estrangeiro: «Neste momento temos 14 contentores de vinho para exportar para o Brasil», refere Agostinho Monteiro, acrescentando que «estivemos este ano na ExpoVinis». Mas também Angola, Alemanha, Suíça e França estão entre os países de exportação, embora com menor dimensão. A qualidade dos vinhos pinhelenses tem-se destacado também nos concursos em que participam. O mais recente foi o 9º Concurso de Vinhos da Beira Interior, onde o Pinhel Grande Escolha Síria, de 2015, e o D. Manuel I Reserva de 2013 obitveram duas medalhas de prata. O próximo será em Travanca, Espanha. Em relação à produção vitivinícula prevê-se, para este ano, cerca de 16 milhões de quilos de uvas.


