O relatório da terceira avaliação pós-programa elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para um défice de 2,9 por cento do PIB, mais 0,7 por cento que a meta prevista no Orçamento do Estado para este ano. Para que se consiga um défice de 2,2 por cento o FMI recomenda a preparação de um plano B que pode passar, por exemplo, por atrasar ou limitar algumas medidas que estão no Orçamento.
Segundo o mesmo relatório, hoje apresentado em Washington, a dívida pública será de 127,9 por cento do PIB. Este valor tem já em conta o facto de o défice ter fechado em 4,4 por cento do PIB, que foi a estimativa usada pelo Fundo e que correspondeu ao número ontem divulgado pelo INE.
O documento sugere que sejam revertidas algumas das medidas previstas no Orçamento de 2016, como a reposição salarial na função pública do lado da despesa ou a eliminação da sobretaxa de IRS e a redução do IVA em alguns bens (restauração, nomeadamente) do lado da receita.
O FMI reviu também em baixa a previsão de crescimento para este ano dos 1,5 por cento anteriores para 1,4 por cento, um valor inferior aos 1,8 por cento do governo e também à nova projeção de 1,5 por cento avançada esta semana pelo Banco de Portugal. As maiores diferenças entre Fundo e Governo nas previsões para este ano estão no crescimento esperado para o consumo privado (1,5 por cento contra 2,4 por cento) e investimento (3 por cento contra 4,9 por cento).
Os técnicos do FMI voltarão a Portugal em maio para a tradicional avaliação aos países do artigo IV e a quarta avaliação semestral pós-programa está marcada para o verão.



