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Mitocôndrias e Quasares

O final do ano trouxe boas notícias para os químicos! Um dos instrumentos mais importantes para a Química – a Tabela Periódica dos Elementos Químicos (TP) – acaba de sofrer uma ligeira alteração com a adição de quatro novos elementos. No penúltimo dia do ano, a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), organização científica responsável pela nomenclatura química, atribuiu a descoberta dos elementos 113, 115, 117 e 118 a diferentes equipas de investigação. A descoberta dos últimos três elementos (115, 117, e 118) foram atribuídos a uma equipa de investigadores russos e norte-americanos, já o elemento 113 foi para Kosuke Morita, do Instituto Riken, no Japão.

Um olhar mais atento para a TP e já podíamos observar a presença destes elementos, ainda que provisória, neste quadro químico, com a designação de unúntrio (Uut ou elemento 113), ununpêntio (Uup, elemento 115), ununséptio (Uus, elemento 117), e ununóctio (Uuo, elemento 118). Agora com a atribuição desta descoberta, estes investigadores já foram contactados pela IUPAC para atribuírem uma nomenclatura e um símbolo a cada um destes novos elementos.

A Tabela Periódica dos Elementos Químicos tem vindo a ser preenchida ao longo dos tempos com novos elementos chegando agora ao total de 118, mas parece não ficar por aqui, uma vez que Kosuke Morita já referiu que pretende procurar o elemento 119.

Um elemento químico é uma substância que contém apenas um único tipo de átomos. O nome de cada elemento é abreviado em uma ou duas letras, que constituem o seu símbolo químico. Uma grande proporção de elementos são metais. Os átomos de um mesmo elemento não têm todos o mesmo peso, pois alguns contêm mais neutrões. Estes elementos químicos são organizados na TP em função das semelhanças e das diferenças que existem entre eles.

Focando a atenção na História da Ciência verificamos que, na Antiguidade, toda a matéria era considerada com uma combinação dos quatro elementos fundamentais seguintes: a água, o ar, a terra e o fogo. Na Idade Média, os alquimistas juntavam três “princípios”, o enxofre, o mercúrio e o sal aos quatro elementos fundamentais e consideravam o carbono, o ouro, a prata, o cobre o chumbo, o estanho, o ferro e o antimónio como combinações de elementos e de princípios. A partir do século XVIII, os trabalhos dos químicos, nomeadamente a demonstração, em 1777, pelo francês Antoine de Lavoisier (1743-1794) que o ar é uma mistura de oxigénio e de azoto, a síntese da água a partir de oxigénio e de hidrogénio, em 1781, pelo britânico Henry Cavendish (1731-1810) e a sua análise por Lavoisier em 1784, permitiram mostrar que nenhum dos quatro elementos fundamentais da Antiguidade era verdadeiramente um elemento no sentido químico do termo e que existiam dezenas de elementos.

Nos meados do século XIX tinham sido identificados 63 elementos químicos. Não se sabia bem como classificá-los, pois as suas propriedades físicas e químicas deferiam, muitas vezes, de uns para os outros. Só tinham sido formados alguns grupos, como os dos metais ou dos gases nobres. Na continuidade dos trabalhos percursores do químico alemão Julius Meyer (1830-1895) e do químico inglês John Newlands (1837-1898), o químico russo Dimitri Mendeleiev (1834-1907) propôs, em 1869, um novo sistema, a tabela periódica dos elementos. Não só as parecenças e as diferenças entre determinados elementos se tornaram muito mais claras, mas sobretudo certos espaços vazios da tabela permitiram orientar as pesquisas e facilitar a descoberta de novos elementos.

Olhando agora para o futuro, podemos lançar algumas das questões que terão de ser abordadas nos diversos fóruns internacionais de Química. Quando forem descobertos novos elementos químicos, como pretende fazer Morita, qual será a configuração dessa nova TP? Será acrescentada uma nova linha, a oitava? Uma nova coluna, a décima nona? Será feita uma reconfiguração total da organização atual?

Por: António Costa

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