A proposta de orçamento para 2016 em Celorico da Beira foi chumbada na última reunião do executivo com três votos contra dos dois vereadores do PSD e da número três do PS, Maria do Céu Louro, partido maioritário na autarquia.
Nessa sessão, realizada na semana passada, apenas o presidente José Monteiro e o vice-presidente, José Luís Cabral, votaram a favor dos documentos previsionais para o próximo ano. O voto contra desta maioria de ocasião parece dever-se «à falta de investimento no concelho e de medidas que incentivem à fixação de pessoas e empresas», justificou Manuel Portugal, eleito social-democrata, em declarações a O INTERIOR. O vereador da oposição, que liderou a lista derrotada nas autárquicas de 2013, relembra a promessa de que iriam chegar novas empresas ao parque industrial e «até agora nada», acrescentando ainda que «faltam condições para que as pessoas queiram ficar no concelho e investir aqui», situação que tem sido agravada com «a falta de aposta na natalidade e o aumento do IMI, por exemplo», critica o vereador.
Segundo o próprio, este voto contra será apenas um «alerta para que não se façam apenas obras por fazer, é necessário acautelar o futuro do concelho». Com este chumbo do orçamento para 2016, o Fundo de Apoio Municipal e os financiamentos comunitários podem ficar comprometidos caso o executivo não aprove uma nova versão dos documentos previsionais – de resto, o município de Celorico da Beira já não conseguiu cumprir a data limite para aprovação do Plano e Orçamento, que era 31 de outubro. Os dois eleitos do PSD estão dispostos a votar favoravelmente os documentos desde que «o senhor presidente esteja disposto a retificar o orçamento e crie condições para as pessoas e para o desenvolvimento do concelho». Nesse caso, «eu voto favoravelmente», garantiu Manuel Portugal.
O INTERIOR tentou obter um comentário de Maria do Céu Louro, o que não foi possível até ao fecho desta edição, mas em declarações à Rádio F a socialista, que é vereadora sem pelouros no executivo, alegou que o voto contra prendeu-se com o facto do documento «não contemplar algumas obras, incluindo as piscinas municipais, o cemitério de Celorico Gare e o parque industrial». Quem também não esteve disponível para falar sobre o assunto até à hora do fecho desta edição foram o presidente e o vice-presidente da Câmara, apesar das várias tentativas de O INTERIOR.
Ana Eugénia Inácio


