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Os bons teimosos

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A teimosia de prosseguir na adversidade total pode ser uma perda de tempo e pode ser um final feliz se prevalece a ideia que apostávamos desde o começo. Mas que factos podem construir uma teimosia antes de existir um sustento, antes dos pilares que enterramos na sabedoria, na matéria científica?

Este desenhar de dúvidas, expor perguntas, é o terreno fértil da construção imaginativa. Pensar algo novo, imaginar um objeto diferente, ousar uma palavra nova que traduz expressões que até ali eram frases. O obreiro da fertilidade no deserto, da nova fonte de energia, de uma outra luz, de trazer lâmpadas sem fios, de sonhar carros que voam, é o construtor teimoso. Ele acredita em algo que só ele vislumbra. Esta fantasia não é mais que uma ilusão pois surge de uma necessidade que só ele vê, e de uma crença que ele tem. Acreditar é teimosia no seu estado puro. Acreditar contra o instituído, a norma ou a rotina é uma capacidade que a maioria não possui e por isso é invulgar. Tenho imenso fascínio por essas pessoas que sonham e acreditam. Depois teimam e cavalgam a sua insistência na ilusão de um sucesso ou de uma certeza que é só deles. Aqui temos emigrantes, cientistas, literários, pintores… pessoas que são corajosas e criam empresas, criam projetos, fazem mais filhos e posicionam-se contra ventos e marés. Amo a teimosia deles e acredito mais nos seus falhanços que nas certezas doutros que são transportados, levados ao colo, ajudados pela herança, empurrados pelo nome.

Por: Diogo Cabrita

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