P – A delegação da Guarda da Fundação São João de Deus tem novas instalações. A que se deve esta mudança?
R – A Fundação privilegia sempre o estabelecimento de relações com parceiros locais que deem expressão ao nosso princípio de serviço à comunidade mantendo a sustentabilidade. Assim aconteceu com esta parceria com a Junta de Freguesia da Guarda, que em bom tempo nos propôs a vinda para este espaço na Rua Comandante Salvador do Nascimento.
P – Que novos projetos poderão vir a ser desenvolvidos neste espaço?
R – Quando as instituições decidem trabalhar em conjunto, a atenção dada às necessidades locais cresce e crescem também as oportunidades de resposta pela conjugação de sinergias. Pediria, por isso, para estarem atentos nos próximos meses às iniciativas que estaremos a desenvolver.
P – Como está a decorrer o projeto “Somos por Si”, de apoio a idosos que vivem sozinhos?
R – Os resultados do programa “Somos por Si” têm sido uma verdadeira surpresa. Durante o ano de 2014 acompanhámos no concelho da Guarda 122 idosos, em sete freguesias dos concelho e realizamos 66 intervenções. Neste ano demos já início ao projeto “Somos por Si, Mais perto de Si”, apoiado pelo Movimento Mais para Todos. A grande mais-valia deste projeto consiste numa unidade móvel solidária que irá ao encontro das necessidades das pessoas mais idosas que vivem em situação de isolamento geográfico e social. Cada quilómetro percorrido pela unidade móvel traçará uma rota de solidariedade pelas aldeias mais distantes do concelho da Guarda, levando a cidade até às aldeias mas que trará também as aldeias à cidade.
P – E a atividade denominada “Academia da Memória”?
R – Sumariamente, é uma iniciativa que pretende realizar sessões de estimulação cognitiva. A missão assenta em implementar a estimulação cognitiva através de jogos e exercícios práticos, como um hábito de vida saudável e consequentemente prevenindo situações de demência. Estamos já a colocar em prática a “Academia da Memória” desde o início de 2014, com resultados de adesão muito interessantes, principalmente junto dos centros de dia, aos quais nos deslocamos com frequência e a pedido destes.
P – Nestes quase três anos de funcionamento na Guarda, o que ficou por fazer? Que projetos não foi possível concretizar?
R – Todas as instituições têm ambição de serem bem conhecidas e apoiadas pelas pessoas que o podem fazer. A Fundação S. João de Deus apoia as intervenções ligadas à prevenção da saúde mental, uma área muito esquecida (ou até relegada para segundo plano por muitos). Queremos estar mais perto das famílias que cuidam de pessoas com doença mental… Talvez seja essa a meta que ainda não conseguimos alcançar.
P – Quais são as principais dificuldades da delegação da Fundação São João de Deus?
R: Os Irmãos de S. João de Deus sempre contaram com a boa vontade de pessoas que de forma comprometida com o serviço aos doentes, e em especial aqueles com doença mental, sempre se mostraram solidárias. Será essa a nossa maior dificuldade na delegação da Guarda e nos outros locais onde os irmãos procuram apoios para o serviço aos que mais precisam.
P – A crise dos últimos anos obrigou a Fundação a reorientar a sua ação na Guarda?
R – Quando a Fundação instalou a sua delegação na Guarda já a crise era assunto corrente, além de que as Instituições sociais sempre viveram em crise. O que fizemos é o que sempre fazemos: cada iniciativa ou projeto, além de ser necessário, tem também de ser sustentável. É assim que construímos os nossos planos estratégicos e de atividades.
P – Qual é o público-alvo das atividades da Fundação?
R: A Fundação S. João de Deus apoia pessoas em situação de vulnerabilidade, de forma inovadora e sustentada, promovendo a saúde mental e o envelhecimento ativo como prevenção à doença mental, ao estilo de S. João de Deus.



