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Família da Guarda desespera por uma casa

Casal de etnia cigana admite que tentou forçar a entrada «apenas num apartamento e para alertar para a nossa situação»

Desde o dia 21 de outubro que o guardense Tiago Amoroso, a sua companheira e os três filhos menores do casal não têm luz, nem água na casa cedida pelo Centro Paroquial da Sé, em que ainda habitam, mas de onde poderão ter de sair a qualquer momento. Esta família de etnia cigana admite que tentou forçar a entrada num apartamento do bloco habitacional construído pela extinta sociedade Polis na zona do rio Diz, mas garante que não foi a única.

Tiago Amoroso, de 31 anos, e Cátia Cabeças, de 30, contaram a O INTERIOR que estavam numa reunião com o vice-presidente e com a vereadora da Ação Social da Câmara da Guarda «a fim de tentarmos resolver a nossa situação» quando os autarcas foram informados que as portas dos apartamentos do “prédio do Polis” estariam a ser arrombadas. A reunião terminou de forma abrupta e o casal, ambos desempregados, revelam que «logo aí dissemos que também íamos tentar forçar a entrada num apartamento». Tiago Amoroso assegura que «não tivemos nada a ver com as pessoas que arrombaram a porta da entrada. Partimos a fechadura apenas de uma das portas para alertar para a nossa situação num ato de desespero». Dada a sua situação, Cátia Cabeças revela que já tentou suicidar-se e que está com uma depressão, apelando «ao bom senso, misericórdia e sensibilidade do presidente da Câmara para, pelo menos, tentar resolver a nossa situação».

A família, que recebe 184 euros de Rendimento Social de Inserção, garante que ainda tem «um teto para dormir» devido à «boa vontade do padre Carlos porque a Câmara fez um acordo com o Centro Paroquial para nós lá ficarmos por um ano até resolverem a nossa situação e já lá estamos há quase dois, mas a paróquia está a precisar da casa». O casal adianta que o município os informou que estariam em quarto lugar na lista de espera para acesso a uma habitação social. Por isso, Cátia Cabeças pede «uma solução porque não somos animais e queremos integrar-nos na sociedade». «Estamos desesperados e, em último recurso, vamos morar para dentro da carrinha em frente à Câmara», avisam. Na última reunião do executivo, o vice-presidente da autarquia, Carlos Chaves Monteiro, confirmou ter havido «uma atitude por parte de algumas famílias que não conseguimos explicar, sendo certo que para nós tudo irá ser objeto de decisão no tempo certo, e tomaremos a decisão quando acharmos conveniente sobre o destino a dar aquelas habitações que pode não ser ação social».

Ricardo Cordeiro Tiago Amoroso e a família estão a morar numa habitação sem luz e água

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