Saúde, mobilidade, logística e desenvolvimento social são algumas das áreas em destaque no Plano Estratégico da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Beiras e Serra da Estrela. O documento com os projetos considerados estruturantes para o desenvolvimento da região está fechado e já foi aprovado, por unanimidade, pelos 15 autarcas que constituem o Conselho Intermunicipal. As propostas vão agora passar pelo crivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRC), que tem a última palavra sobre o financiamento a atribuir.
A construção de um centro de excelência na investigação e tratamento de doenças respiratórias na Guarda, de vocação turística, apostando na recuperação dos edifícios do antigo Sanatório Sousa Martins, e a dinamização do setor termal, que tem tido algum destaque nos últimos anos graças às novas estâncias do Cró (Sabugal), Fonte Santa (Almeida) e Longroiva (Mêda), são alguns dos projetos incluídos na área da saúde. No plano da mobilidade, os autarcas recuperaram o aeroporto regional da Covilhã e os túneis da Serra da Estrela, mas não esqueceram a construção dos Itinerários Complementares (IC’s) 6 e 7 na corda da Serra e a conclusão da modernização da linha ferroviária da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda. Na logística, a Guarda quer a “parte de leão” e pretende consolidar a Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE) no contexto regional com a construção de um centro de frio. O Plano inclui ainda a construção de terminais ferroviários nalguns parques empresariais.
A CIM também quer ampliar a área agrícola com regadio na região, nomeadamente na Cova da Beira, e pretende investir nas energias renováveis. Na área da cultura e património há projetos intermunicipais de promoção do turismo e da cultura, sendo que a Covilhã, Fundão e Guarda manifestam a intenção de partilhar uma rede de programação cultural com espetáculos pontuais e eventos permanentes nas três cidades. O mesmo ficou decidido no desporto. Reforçar a atratividade das Aldeias Históricas, das Aldeias do Xisto e de Montanha, bem como das áreas protegidas da Serra da Estrela, da Malcata e do Douro Internacional, é outra aposta partilhada pelos municípios das Beiras e Serra da Estrela.
As CIM tinham de entregar a ITI (Investimento Territorial Integrado) – o documento financeiro do plano estratégico – até outubro, decorrendo até dezembro as negociações em termos de financiamento para que no final do ano ou início de 2015 seja assinado o pacto entre as CIM, neste caso das Beiras e Serra da Estrela, e as várias autoridades dos programas operacionais regional e nacional, no âmbito do Portugal 20/20. Numa recente passagem pela Guarda, a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, lembrou que o próximo quadro comunitário apoia a competitividade, o empreendedorismo, a coesão territorial, o envelhecimento ativo, a educação e sobretudo a promoção dos territórios. O Programa Operacional do Centro tem uma dotação de 2.117 milhões de euros, dos quais 444 milhões são Fundo Social Europeu. O restante é do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Luis Martins


