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Despiciendo

Bilhete Postal

Uma zebra sem cor é um burro, um candeeiro sem luz é um pau, um escorrega sem descida é uma armadilha, uma farmácia sem medicamentos é um “showroom”, um shopping sem lojas é uma nave seca, uma estrada sem carros é um deserto, um computador sem revisões é um ecrã e assim estamos nós neste Portugal de Pedro Passos Coelho. Um Portugal onde a manutenção mínima acabou, onde a instalação de programas novos em computadores obsoletos acarreta disfunção. O grande fiasco desta trajetória é ter tornado despiciente a maioria das funções públicas. Podemos fechar com dignidade, mas arrastar um desvario é “demenciar”, é impedir a dignidade, é passear como “clochard” nas ruas de Lisboa, arrastando cheiro e pulgas. Ver jardins públicos decadentes, ruas sujas, polícias rotos, pneus de carros de Estado carecas, tudo isso é um modo despiciente de encarar a humanidade. Médicos com batas todas diferentes na mesma instituição, bancos de jardim partidos. A manutenção é a razão de ser da obra feita. Se não podemos manter em bom estado, não construímos, ou não compramos.

A minha análise desta forma de torcer a crise é a palavra despiciendo, e a minha análise ao estado de alma das pessoas é desesperança. Por estas razões Portugal está num final de ciclo, e se arrasta numa imprensa a morrer, numa televisão cada dia menos selectiva nos conteúdos, numa educação cada vez mais amoral, nuns comportamentos cada vez mais idiotas, onde direitos e deveres não têm proporcionalidade.

Por: Diogo Cabrita

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