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Casa de Jorge Leão vendida por um milhão

CGD tomou posse do imóvel após a falência, em 2011, do grupo empresarial ARL, de que o empresário era administrador

É uma das casas mais caras da Guarda, mas já foi vendida. Após várias tentativas, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) conseguiu vender a vivenda construída pelo empresário Jorge Leão no centro histórico da cidade. Um milhão de euros foi quanto desembolsou o novo proprietário, dono de uma ótica na cidade.

Construída entre outubro de 2005 e finais de 2006, a residência está implantada na zona do Torreão, o ponto mais alto do centro histórico – S. Vicente. O projeto é da autoria do arquiteto João Rafael e assentou na recuperação de um área considerável para habitação sobre a antiga muralha da cidade, aproveitando ainda a magnífica vista panorâmica sobre parte da cidade e a raia. O imóvel é um luxuoso edifício onde foram utilizados materiais como o granito, madeira, aço, alumínio e ferro. A sua volumetria e implantação sobre a muralha causou mesmo alguma polémica na altura da sua construção, mas sem qualquer consequência. O banco público tomou posse do imóvel após a falência, em 2011, do grupo empresarial ARL, de que Jorge Leão era administrador. A luxuosa casa tinha sido apresentada como garantia para a construtora obter mais um empréstimo, pelo que a CGD tentou vender a residência para não perder todo o dinheiro emprestado ao grupo empresarial.

Desde 2012 que a tarefa parecia impossível por causa da crise financeira e imobiliária que o país viveu. Já este ano, as tentativas da Caixa deram resultado e um empresário da Guarda acabou por ficar com o imóvel a troco de um milhão de euros, num negócio cujos contornos não são conhecidos. Recorde-se que a CGD era o principal credor da construtora, reclamando créditos superiores a 5,4 milhões de euros, mas era ainda credora de 3,4 milhões de euros na ARL Construções, sedeada em Celorico da Beira e que operava nas áreas da imobiliária, materiais de construção, design e soluções de engenharia. Além disso, a Caixa Leasing & Factoring tinha ainda uma hipoteca sobre o pavilhão existente no parque industrial da Guarda, que continua à venda, tal como vários apartamentos junto à Viceg (estrada de Alfarazes). O grupo ARL foi fundado na década de 70 por António Rodrigues Leão. Em 2011, os seus problemas financeiros vieram ao de cima com um pedido de insolvência interposto por um fornecedor da empresa de obras públicas. Em agosto desse ano, o Tribunal de Celorico da Beira declarou a empresa insolvente e 105 trabalhadores ficaram sem emprego. Na altura, Jorge Leão declarou a O INTERIOR que «a componente imobiliária e o atraso nos pagamentos por parte das autarquias» contribuíram para que a situação financeira da empresa se agravasse.

Após várias tentativas, a Caixa conseguiu vender edifício situado no centro histórico a dono de uma ótica

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