Aprovada na reunião de Câmara do passado dia 11, a proposta do plano de saneamento financeiro da autarquia de Manteigas vai a votos na Assembleia Municipal de amanhã. Entretanto, o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Biscaia vai avançar com um pedido de empréstimo no valor de três milhões de euros.
Segundo o autarca, esta decisão surge para pagar a dívida que o município, tal como os restantes da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE), têm para com a empresa Águas do Zêzere e Côa. José Manuel Biscaia admite que «não estamos com a corda ao pescoço, mas temos de cumprir a lei dos compromissos e corrigir a assimetria». Na sessão de Câmara, o vereador socialista Esmeraldo Carvalhinho votou contra esta solução, justificando que «o estudo financeiro sobrevaloriza a dívida e não está explicado o montante do empréstimo», pelo que defende que a autarquia devia ter aguardado por um parecer jurídico.
Para o antigo presidente do município, o estudo financeiro que serve de base ao pedido de empréstimo «não é justo» com o anterior executivo por ter «subjacente a intenção política de dar a entender que foi dívida gerada no meu mandato». Por isso, o vereador afirma que no mandato anterior foram pagos «300 mil euros de dívida da Câmara anterior, reduzimos a despesa em cerca de 20 por cento e duplicámos o investimento». Esmeraldo Carvalhinho revela ainda que a dívida atual da Câmara de Manteigas é de mais de 2,9 milhões de euros e faz questão de lembrar que «não foi contraída no tempo do meu executivo». Por sua vez, José Manuel Biscaia garante que o empréstimo de três milhões de euros será usado «com parcimónia», mas o vereador da oposição não acredita: «O executivo do mandato anterior ao meu geria com dinheiro à vista, quando é necessário gerir com o que existe e baixar despesa», refere.
Se o plano de saneamento financeiro for aprovado esta sexta-feira pela Assembleia Municipal, o socialista não tem dúvidas que quem vai acabar por pagar a fatura «é a população, com o aumento dos impostos e taxas pagas pelos munícipes». Recorde-se que o limite de endividamento do município de Manteigas ascende a perto de 3,4 milhões de euros.


