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Rota de sucesso

Editorial

1. O Programa Aldeias Históricas nasceu no já longínquo ano de 1991 promovendo a recuperação de uma dezena de aldeias, com características muito similares, embrenhadas de uma certa espiritualidade e uma enorme dimensão patrimonial arquitetónica, natural e artística.

Todas situadas no Centro, as Aldeias Históricas foram alvo de uma enorme qualificação urbana e de uma inigualável divulgação, em termos de espaço rural, pela qualidade do conteúdo e as características da intervenção. A coleção de “guias” das Aldeias Históricas de Portugal, publicada então com o “Diário de Noticias”, ficou para os anais do que é fazer bem e saber fazer em termos de promoção histórico-patrimonial e turística entre nós – e provavelmente, não existe nenhum outro exemplo de trabalho editorial do género tão bem conseguido como esse (entre 2000 e 2001 contribuímos na divulgação das Aldeias com artigos, nomeadamente, de Salomé Joanaz, uma das mais proeminentes autoras desses “guias”). Foi um período extraordinário e surpreendente – como era surpreendente visitar todas e cada uma das Aldeias…

Depois, receberam a “certificação” de “Aldeias Históricas” Trancoso e Belmonte dando maior dimensão e notoriedade ao Programa. Mas à requalificação urbana faltava a dimensão imaterial, as pessoas, a vida, o interior das paredes. E não é fácil levar vida a meios abandonados, sem gente, sem emprego, sem dinamismo social, sem agentes económicos, sem dinamismo…

E foi então que nasceu a Associação Aldeias Históricas de Portugal. E uma nova luz surgiu no horizonte, por entre os montes e as serras que envolvem as Aldeias, para dar uma nova vida a um Programa e, mais importante, para recuperar o poder de atração de um mundo de pedra e natureza, de história e tradição, de sabores e cheiros, que atraiu 400 mil visitantes no último ano, e que ambiciona receber meio milhão de pessoas por ano, a partir de 2017. A Grande Rota das Aldeias Históricas vai dinamizar novos territórios e engrandecer o percurso já realizado pela Associação; o que está morto morto está, mas é possível dar uma nova vida a aldeias e vilas de um mundo rural ostracizado e abandonado. As Aldeias Históricas são de novo um exemplo de revitalização e valorização do espaço rural, com estratégia e capacidade de materializar «iniciativas em prol do almejado desenvolvimento sustentável do território», como muito bem foi salientado no seminário de avaliação.

2. Depois de um longo caminho chegam ao fim as “primárias” do PS. Durante dois meses o Partido Socialista saiu à rua e mostrou-se, nem sempre com os melhores argumentos, mas teve visibilidade e cresceu (milhares de simpatizante inscritos para votar). O partido dividiu-se, mas aproximou-se das pessoas e dos seus problemas.

António José Seguro falou (e chorou) para os socialistas, enquanto António Costa falou para o país; António José Seguro tem Costa como o adversário a abater, enquanto Costa escolheu Passos Coelho como o rival a derrotar. Podia ser pouco, mas é tanto e tão importante que o PS está dividido não por questões de fundo, mas por pormenores, em especial o pormenor de Costa poder ganhar as próximas legislativas (apesar das cheias de Lisboa…) e Seguro as poder perder. Quem não perceber isto não percebeu nada do que ocorreu durante dois meses.

Luis Baptista-Martins

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