Pode o CDS viver sem Paulo Portas? E pode Paulo Portas viver sem o CDS? A dúvida tem alguns anos, já foi mais extrema na altura em que o partido e o líder se confundiam, e, pelos vistos, ainda não será desfeita em 2015. Foi isso que o Expresso Diário adiantou segunda-feira e que depois o CDS repetiu em coro. Portas pretende mesmo ir de novo a votos no próximo ano.
A eventual saída de Paulo Portas antes das próximas eleições tinha alguma lógica. O seu ciclo político já vai muito longo e terá dificuldade em encaixar no cenário parlamentar que deve sair das legislativas de 2015. Ao mesmo tempo, Paulo Portas sabe que pode ter que largar a atividade política a tempo de ter outra profissão, como fez antes no jornalismo, onde era excecionalmente bom. Em 2005, Portas não conseguiu montar a Fundação que pretendia, com apoio americano, e regressou ao CDS para apear Ribeiro e Castro.
Mais importante do que o futuro de Portas é o do CDS. O partido estava demasiado dependente do líder, como também esteve de Manuel Monteiro. Nos últimos anos, com a ascensão de vários delfins e o protagonismo de Pires de Lima, o cenário está mais atenuado. Mas não está resolvido. Ninguém sabe ao certo, o que será o CDS depois de Paulo Portas, quantos votos vale nem que programa terá ao certo.
Apesar de todos sabermos que Portas terá que deixar um dia a liderança e que o CDS terá que aprender a viver sem Portas, uma saída à beira de uma eleição muito difícil seria um erro político para o partido e para o próprio Portas. O partido dava imediatamente cabo do sucessor e Portas seria facilmente acusado de ter fugido.
Assim, e apesar de ninguém saber se Portas ainda tem muito valor eleitoral, o melhor é o CDS receber de braços abertos o seu “novo” reforço. Com Portas pode correr mal, mas sem ele a incerteza será enorme.
Por: Ricardo Costa


