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Uma centena caminhou pelo Noéme

Quercus organizou ação de protesto contra a poluição do rio. Presidente da Câmara da Guarda reconhece que «há um grande trabalho de despoluição a fazer»

Cerca de 100 pessoas participaram na manhã do último domingo numa caminhada de protesto pelo rio Noéme. A iniciativa foi organizada pelo núcleo regional da Guarda da Quercus, em colaboração com algumas Juntas de Freguesia por onde o rio passa, e teve como objetivo «sensibilizar a população em geral» para o que a associação ambientalista considera ser um «grave problema de poluição» que «se mantém há vários anos». Um dia depois, o presidente da Câmara da Guarda anunciou que a autarquia garantiu o financiamento para a construção de uma estação elevatória que poderá ajudar a solucionar o problema.

No final da caminhada de 10 quilómetros que começou e acabou junto à ponte da Gata, o presidente do núcleo da Guarda da Quercus denunciou que «continuam a acontecer descargas poluentes» e os participantes na caminhada puderam confirmar que «é visível a carga poluente que o rio tem». Ainda assim, Bruno Almeida frisou que nesta altura o rio ainda apresenta um «grande caudal» e tem «muita água», daí que «porventura a carga poluente está mais diluída», advertindo que chegados «os meses mais secos para que caminhamos agora a carga poluente há-de vir ao de cima». O responsável sustenta que esta situação é «preocupante a todos os níveis», considerando que «a prova mais imediata é que não há vida no rio, quando ele tinha tudo para a ter», afirmou ao apontar para «árvores que estão mortas e as que ainda não estão caminham para lá». A Quercus aproveitou a caminhada, que reuniu 105 pessoas, para recolher mais assinaturas para o abaixo-assinado que está a promover desde fevereiro em defesa do Noéme para depois ser enviado às «entidades competentes, nomeadamente» a Câmara da Guarda e a Agência Portuguesa do Ambiente. O responsável explica que o objetivo é «mais uma vez tentarmos pressionar as entidades competentes para resolverem o problema da poluição no rio», sendo que «mais importante que o número de assinaturas recolhidas é a causa em si».

Os habitantes das localidades atravessadas pelo Noéme não escondem o incómodo que a poluição no rio provoca. Morador na Gata, Rui Reinas, explicou a O INTERIOR que «o que sentimos mais na pele são os cheiros» que pioram às quintas-feiras, normalmente o dia escolhido para serem feitas «as descargas para o ribeiro e nesses dias não conseguimos ter uma janela aberta porque é um cheiro imenso que cria mau estar e tudo o que vem atrás como insetos», num problema que «já se arrasta há uns 10 ou 15 anos». No mesmo sentido, Joaquim Jarmelo, residente na Quintazinha do Mouratão, garante que a situação é «terrível e lamentável», já que «não se pode cultivar nada» e «os animais não podem alimentar-se das culturas junto ao rio». Fabíola Almeida foi outra das participantes na caminhada e defendeu que «deviam ser feitas mais intervenções destas» para «alertar por causa da poluição do rio».

Também o presidente da Junta de Freguesia de Casal de Cinza, de que faz parte a anexa da Gata, mostra-se esperançado de que o rio Noéme possa ficar finalmente despoluído: «Andamos aqui há uma série de anos a tentar resolver o problema. Agora está feito um bypass de uma empresa que vai ligar à ETAR de São Miguel. Esperemos que o rio fique despoluído agora com esta medida», frisou José Rabaça, lamentando que as multas aplicadas sejam «insignificantes».

Na segunda-feira, na reunião de Câmara realizada nas Panóias de Cima, Álvaro Amaro anunciou que o município «garantiu financiamento» para a construção de uma estação elevatória ansiada há alguns anos. De resto, em resposta a um morador que defendeu que a Câmara devia tornar as margens do Noéme aprazíveis para a população, o presidente do município adiantou que «gostaria de abraçar esse projeto mas isso só pode ser feito depois de se despoluir o rio». O autarca realçou que «neste momento há um grande trabalho de despoluição a fazer» e que «no futuro estaremos disponíveis para analisar uma candidatura no âmbito dos novos fundos comunitários para se requalificar o Noéme e tornar possível a sua fruição pela população».

Ricardo Cordeiro Mais de 100 pessoas juntaram-se para chamar a atenção para o problema

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