O saldo época de incêndios deste ano é dramático. Além dos 9.310 hectares ardidos no distrito da Guarda, há a registar ferimentos graves em quatro bombeiros, três dos quais ainda se encontram hospitalizados em Coimbra e no Porto. Na Covilhã, o voluntário Pedro Rodrigues, de 41 anos, faleceu a 15 de agosto quando combatia as chamas na freguesia do Peso no grande incêndio que afetou várias localidades daquele concelho.
Poucos dias depois, a 29 de agosto, quatro operacionais da corporação de Famalicão da Serra (Guarda) sofreram queimaduras graves quando faziam fogo controlado no incêndio de Muxagata (Vila Nova de Foz Côa). Cerca de mês e meio depois, Joaquim Ruano, de 45 anos, e Albano Romano, de 62 anos, com 26 e 17 por cento do corpo queimado, respetivamente, continuam internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, mas a sua condição está a evoluir favoravelmente. Já Valter Ruano, de 24 anos, que sofreu lesões internas nas vias respiratórias e era, por isso, o caso mais preocupante, permanece no Hospital de S. João com prognóstico reservado. «Está consciente e respira sem ajuda do ventilador, o que é uma boa notícia», refere o comandante Francisco Gonçalves, que acrescenta que, «em qualquer dos casos, os tratamentos são demorados e exigentes, pelo que não se sabe quando estes três elementos poderão deixar o hospital». Por sua vez, Acácio Esteves, de 20 anos, foi transferido há cerca de duas semanas de Coimbra para o Hospital Sousa Martins, na Guarda.
Em termos de área, entre 1 de janeiro e 30 de setembro – data que assinala o fim da fase “Charlie”, de época crítica de incêndios –, tinham ardido 9.310 hectares no distrito da Guarda, de acordo com o último relatório provisório do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), divulgado na semana passada. No ano passado, as chamas consumiram 10.083 hectares, mais 3.487 hectares que em 2011. Até ao final de agosto de 2013, um mês que se revelou catastrófico, tinham ardido 8.117 hectares. Desde o início do ano registaram-se 184 incêndios (com área ardida superior a um hectare), 219 fogachos (área inferior a um hectare) e 30 reacendimentos no distrito da Guarda. Estes fogos consumiram 2.413 hectares de povoamentos e 6.897 de matos, tendo ocorrido 14 grandes incêndios (área superior a 100 hectares).
O fogo de Almendra (Vila Nova de Foz Côa), a 28 de agosto, foi o maior registado este ano na região com 1.955 hectares queimados. O segundo deflagrou na freguesia de Santa Maria (Trancoso), a 21 de agosto, e consumiu 1.101 hectares. A terceira ocorrência mais grave também aconteceu no concelho de Trancoso, quando arderam 966 hectares em Moreira de Rei, a 11 de agosto. Já no dia 28 desse mês arderam 740 hectares em Muxagata (Vila Nova de Foz Côa). Em temos nacionais, Viseu foi o distrito mais afetado pelos fogos este ano, registando 34.764 hectares de área ardida, seguido de Vila Real (22.613) e Bragança (21.010). O distrito de Castelo Branco ficou-se pelos 2.896 hectares. No total, arderam 134.964 hectares de matos e povoamentos em Portugal.
Luis Martins


