Um exercício muito interessante de reflexão, é procurar compreender os mecanismos de funcionamento do poder. Se a bitola de apoio ao poder político deveria ser o interesse público e potencial de prestação de serviços à comunidade, não é menos verdade que um dos principais sustentáculos do poder é a satisfação de interesses individuais, seja vantagens já obtidas, seja expectativas de vantagens. Por outras palavras, o poder assenta, em grande parte, na gestão de clientelas políticas, fenómeno cuja grandeza é inversamente proporcional ao desenvolvimento das democracias.
A constatação desta realidade suscita-nos outra questão: Se as pessoas são permeáveis à lógica do benefício individual, qual a fronteira dos princípios e dos valores? A resposta a tal questão levar-nos-ia à profundeza da alma humana, reflexão que não cabe nos limites desta coluna de opinião. Duas ideias podem no entanto ser retidas. A primeira é que, frequentemente na nossa sociedade política, esses princípios e esses valores são puramente retóricos. A segunda é que a verdadeira democracia depende da genuinidade das promessas de serviço público. As falsas promessas e os interesses marginais têm de ser combatidos!
Esta semana, um facto político que deve ser realçado, é a aparente inflexão da atitude da vereação do PSD no executivo camarário. Pela primeira vez os vereadores social democratas participaram activamente na tomada de decisões que viabilizam a solução de problemas, neste caso da Plataforma Logística. Parece vingar a tese de que a legitimidade da oposição é tanto maior quanto maior for o esforço construtivo: À oposição não basta criticar acções e omissões, deve ser credível na justificação de que poderia fazer mais e melhor.
Esta tese foi, aliás, apresentada na Assembleia Municipal de 30 de Setembro do ano transacto, passando despercebida à opinião pública e recebida com cepticismo pelo Partido Socialista.
As questões que agora se podem colocar é, por um lado, se esta alteração estratégica não é tardia, com a imagem da oposição associada a uma excessiva agressividade na postura e no discurso, e, por outro lado, se esta mudança é genuína.
Do que não há dúvida, é que a Guarda está no limiar de profundas transformações no seu desenvolvimento, e, ou começam agora a conjugar-se vontades, ou o nosso futuro fica seriamente comprometido. Como na eloquente e já célebre história do burro contada na Assembleia Municipal…
Vale a pena estar atento!
Por: Rui Quinaz



