O novo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda deve começar a trabalhar nos próximos dias. A equipa presidida por Vasco Lino recebeu “luz verde” do Conselho de Ministros da última quinta-feira, onde também foi aprovada a exoneração de Ana Manso. A data da tomada de posse dos novos administradores ainda não é conhecida, mas é praticamente certo que Paulo Macedo, ministro da Saúde, marcará presença na cerimónia.
Fonte conhecedora do processo adiantou a O INTERIOR que o novo «CA ainda não está em funções, mas aguarda-se que comece a trabalhar num curto espaço de tempo». De resto, não seria a primeira vez que uma administração começaria a trabalhar antes de tomar posse, até porque também ainda não foi publicado em “Diário da República” o despacho da nomeação que deverá conter a data da cerimónia. A mesma fonte indica que, «normalmente, é sempre o ministro que dá posse aos novos Conselhos de Administração», embora a sua agenda seja muito preenchida e a confirmação só costume acontecer na véspera. Como previsto, na passada quinta-feira o Conselho de Ministros exonerou o CA da ULS da Guarda liderado por Ana Manso, tendo aprovado também a nova equipa liderada por Vasco Lino, um economista com pós-graduação na área de cuidados de saúde que deixa a direção do Agrupamento de Centros de Saúde da Cova da Beira.
A gastroenterologista Fernanda Maçoas foi confirmada como diretora clínica para os cuidados hospitalares, enquanto Gil Barreiros assume a direção clínica dos cuidados primários de saúde. João Marques é novo enfermeiro-diretor e Flora Teixeira da Silva a administradora. O comunicado do Conselho de Ministros adianta que foi ouvida a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública, que se pronunciou «favoravelmente» sobre as nomeações constantes dessa resolução. No dia seguinte, Ana Manso defendeu-se dizendo que a sua equipa «merecia um louvor pelos resultados da sua boa gestão» em vez de ser exonerada. Em conferência de imprensa, a ex-presidente do CA, que esteve ladeada apenas pelos diretores clínicos Fátima Cabral e José Barreiros, disse desconhecer «os fundamentos em concreto» do Ministério da Saúde que ditaram a sua saída, mas acrescentou que a sua gestão «mexeu com muitos interesses instalados e lóbis».
Ana Manso falou mesmo em «médicos que deixaram de ganhar 30 mil euros por mês» e em empresas ligadas a dirigentes do PSD que trabalham nas obras do Hospital Sousa Martins, sem especificar. «Este é um processo fictício, pois tivemos resultados de gestão excecionais e nunca ninguém nos disse que estávamos no mau caminho», declarou. De resto, a ex-presidente da ULS da Guarda sustenta que a sua nomeação para o cargo foi «um presente envenenado», queixando-se de «nunca» ter tido «solidariedade» por parte do Ministério nem da ARS Centro. A ex-deputada admitiu ainda ter sido «um choque» quando soube que ia ser exonerada, uma decisão que lhe foi comunicada pelo presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, José Tereso. Para Ana Manso, «se não fosse militante do PSD continuaria a ser presidente da ULS da Guarda», tendo sido lacónica relativamente ao partido e aos seus dirigentes: «Depois de morta toda a gente é boa», disse, considerando que a Guarda «vai perder com o novo CA», a quem desejou um «bom trabalho» e que o mesmo «não seja minado» como considera que o seu foi. Sobre a polémica nomeação do seu marido para auditor interno, a antiga líder distrital do PSD assegurou que foram «cumpridas todas as regras», deixando uma questão no ar: «Será que tinham receio que um profissional com 32 anos de carreira fosse investigar algo que não queriam?», sublinhou.
Exoneração de Ana Manso é «ato de maquiavelismo partidário», diz PS
O presidente da Federação do PS da Guarda considera que a exoneração de Ana Manso da presidência da ULS é um ato de «maquiavelismo partidário partidário na mais alta escala a que a Guarda não está habituada». José Albano Marques critica as «contradições» de Júlio Sarmento, líder distrital do PSD, que primeiro disse não aceitar que o novo presidente do CA da ULS viesse de fora e depois se mostrou conformado com a decisão. Para o dirigente socialista, essa posição é «sinónimo de falta de influência política do PSD local junto do Governo», sendo que «o que hoje criticam, amanhã valorizam», considerando que Sarmento foi «desautorizado e descredibilizado». O líder distrital do PS estranha que o ministro da Saúde «tenha deixado arrastar a situação de Ana Manso durante um ano. Se a sua gestão era assim tão arrasadora porque não fez nada antes?». Numa conferência de imprensa, o dirigente distrital considerou que a exoneração do anterior CA era uma «vingança» do presidente da ARS Centro, afirmando que o PS «jamais deixará que o hospital da Guarda seja uma qualquer sucursal da Covilhã», uma vez que o novo presidente do CA vem daquela cidade. De resto, o líder distrital do PS questionou «como é que Vasco Lino pode ser administrador de uma entidade pública quando é administrador de uma empresa insolvente», daí questionar qual é a «verdadeira missão» do novo responsável.
Na mesma conferência, o líder concelhio afirmou que o afastamento de Ana Manso e da sua equipa «peca por tardia», lembrando que o relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde aponta para «irregularidades graves», sendo «incompreensível que se demore quase três meses» a substituir a equipa dirigente da ULS. Nuno Almeida reiterou que o Hospital da Guarda «está em risco com o PSD no Governo», porque receia que o Sousa Martins possa «perder serviços, ainda para mais agora com um presidente que vem da Cova da Beira». Em relação às obras de remodelação do Hospital da Guarda, o dirigente desafiou o PSD e o novo CA «a tornarem público o acordo feito entre a anterior administração e o consórcio para que este desistisse da segunda fase», assegurando que «é muito grave o que está lá escrito», sem querer adiantar mais pormenores.
Ricardo Cordeiro



