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Vinhos Beyra nascem na Vermiosa

Rui Reboredo Madeira apresenta três brancos no regresso a Figueira de Castelo Rodrigo

Entre o xisto e o granito, em redor da Vermiosa, Figueira de Castelo Rodrigo, as vinhas mais altas de Portugal produzem uvas com características especificas que conferem aos vinhos branco desta sub-região vitivinícola uma frescura e aroma únicos. É nesta complexidade que resulta da combinação entre intensidade aromática, mineralidade e frescura que Rui Reboredo Madeira apresentou, na última quinta-feira, os novos néctares de sua criação. Brancos, para começar, como não podia deixar de ser, pois «nestas vinhas frondosas» o branco tem outra «identidade e uma frescura natural». Depois virão os tintos, lá para setembro. Mas para já, os Vinhos de Altitude que Rui Reboredo Madeira deu a provar são “Beyra”, de 2011, uma marca nova «facilmente identificável» que chega ao mercado com 150 mil garrafas.

Na prova, os apreciadores puderam degustar nomeadamente o “Beyra-Quartz”, um branco suave, frutado, mostrando muita mineralidade e acidez, o que o torna muito elegante. Depois, o enólogo abriu um surpreendente “Beyra-superior”, com personalidade vincada, «com muita madeira» e intensidade aromática. A alma deste vinho está na combinação única entre uvas das castas Síria e Fonte Cal de vinhas plantadas em solos graníticos e xistosos com filões de quartzo na bacia hidrográfica do Rio Douro, em pleno Parque Natural do Douro Internacional a uma altitude de 700 metros, no extremo norte da região da Beira Interior. Este “terroir” dá-lhe um carácter cítrico e mineral, fresco e elegante, com final longo.

Para o enólogo, «há nesta zona um património vinícola único que são as vinhas de altitude», acrescentando que «com castas autóctones em vinhas velhas, perfeitamente adaptadas ao clima agreste provocado pela grande altitude, em combinação com o solo, onde, entre o xisto e granito, existem muitos filões de quartz». É deste “terroir” que Rui Reboredo Madeira fala com entusiasmo, enquanto critica o arranque e abandono das vinhas velhas, por isso, sublinha, «estávamos à beira de o perder». «Desde sempre me habituei a ver aqui hectares e hectares de vinhas velhas, que com o passar dos tempos, pela desertificação, por falta de viabilidade económica ou por mera falta de interesse foram sendo abandonadas». Para o produtor, apesar da crise, «temos a ambição de contribuir para a afirmação nacional e internacional dos vinhos da Beira Interior, pois considero que esta nossa região tem o potencial de se transformar na nova estrela das regiões vinícolas portuguesas da próxima década». É com esta confiança que o enólogo considera que «a ousadia deste investimento reside no facto da Beira Interior ser uma região vinícola quase desconhecida», mas, precisamente, «foi mesmo aí que vimos a oportunidade», conclui Rui Roboredo Madeira, consciente dos riscos assumidos.

O enólogo e empresário, desde sempre ligado ao Douro, lançou-se neste novo projeto acreditando que «da mesma maneira que há vinte anos acreditava nos vinhos do Douro Superior, hoje acredito nos vinhos da região da Beira Interior». Recorrendo aos métodos tradicionais na vinificação, Rui Madeira promete conquistar os provadores mais exigentes.

Luis Baptista-Martins O enólogo respira a intensidade aromática do novo vinho

Vinhos Beyra nascem na Vermiosa

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