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Amendoeiras em Flor

Começam agora a florir, com algum atraso devido à seca, as amendoeiras na região do Alto Douro, gerando um dos mais bonitos espectáculos naturais do país. O tom branco das amendoeiras em flor junta-se aos tons verdes e castanhos da paisagem, compondo um quadro de beleza inigualável. Uma boa oportunidade para fazer o Circuito da Amendoeira em Flor, que compreende os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Coa, no distrito da Guarda, e Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança. Para além de contemplar a beleza deslumbrante das amendoeiras floridas, não deixe de visitar o património edificado destes concelhos.

Começando em Figueira de Castelo Rodrigo, destaca-se a igreja matriz, de fachada barroca, inserida no centro histórico. A 3 quilómetros, situa-se Castelo Rodrigo, considerada uma das mais belas Aldeias Históricas de Portugal, e que conserva ainda parte da cintura de muralhas que, no passado, faziam dela uma importante fortaleza de fronteira. A situação privilegiada da aldeia, no extremo mais oriental do país, junto à fronteira com Espanha, transformavam-na em ponto-chave da defesa da Beira. Um pouco mais ao lado poderá subir ao alto da Serra da Marofa, a 977 metros de altitude, e apreciar a vista sobre o imenso horizonte. Ali mesmo, pode ainda visitar a capela de Nossa Senhora de Fátima e a estátua do Cristo Rei, colocada em 1956. As capelas evocativas dos mistérios do Rosário e a Cripta subterrânea são também pontos de paragem obrigatória. Ainda neste concelho, merecem uma visita a localidade ribeirinha de Barca d’Alva, onde confluem dois rios (Águeda e Douro) e duas nações (Portugal e Espanha). O miradouro do Alto da Sapinha, na estrada entre Barca d’Alva e Escalhão, oferece magníficas vistas, e é um excelente sítio para contemplar as amendoeiras em flor.

Vila Nova de Foz Coa reivindica o título de “Capital da Amendoeira”, pela área que as amendoeiras ocupam, e pela sua densidade. Todo o concelho é um livro aberto, patenteando os mais diversos motivos de agrado. Castelos, monumentos, castros, “villae” romanas, igrejas, capelas e solares, tudo isso se inclui na lista dos seus valores. Outra riqueza destas terras são as suas paisagens, sempre diferentes e admiráveis, que podem ser apreciadas nos impressionantes miradouros. Mas são as gravuras rupestres do Paleolítico Superior, hoje consideradas Património Cultural da Humanidade, que mais notoriedade dão ao concelho. Com efeito, o vale do Rio Côa constitui um local único no mundo por apresentar o maior conjunto de figurações paleolíticas de ar livre até hoje conhecidas.

Já no concelho de Bragança, Freixo de Espada à Cinta apresenta como principais monumentos a Capela de Santana, os Cruzeiros do Calvário e da Costa de Cima, as Fontes de Menones, de Vale de Madeira e das Hortas, o Pelourinho, a Igreja da Misericórdia, a Igreja do Convento de São Filipe Néry, e a Igreja de São Miguel ou Matriz. Também a Ponte do Carril, e o Castelo e a Torre Heptagonal, que remontam ao século XIV, merecem uma visita. Nas restantes freguesias do concelho, destacam-se a Capela do Senhor da Rua Nova e a Capela de Santo António, em Fornos, e a Fonte Santa ou Casal do Mouro (abrigo rupestre com pinturas a ocre com data provável do II milénio a.C.), em Lagoaça.

Em Mogadouro, encontra-se uma história antiga, podendo ainda admirar-se muitos vestígios da presença dos povos que, pelo menos desde há 6 mil anos, têm povoado esta região. Uma visita à vila de Mogadouro deve contemplar o seu Castelo, monumento nacional do século XVII, o Castelo de Penas Roias, que pertenceu à Ordem dos Templários, e o Convento de São Francisco. Não se pode deixar de visitar, em Mogadouro, as várias igrejas, capelas e casas senhoriais, classificadas como Imóveis de Interesse Público. Como património natural e paisagístico destaque-se o Vale do Sabor.

Finalmente, em Moncorvo, destaca-se o castelo, mandado edificar por D. Dinis nos séculos XIII – XIV, e do qual subsistem restos da estrutura, conservando-se intacta a porta do lado nascente e alguns panos da muralha, que cercavam a antiga vila.

Também a merecer uma visita está a atual igreja matriz de Torre de Moncorvo, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, padroeira da vila. Começou a ser construída em 1544, mas foi apenas um século depois que terminaram as obras. É considerada uma das maiores igrejas paroquiais do país. De acordo com a tradição popular, chama-se a esta igreja “de figos e de mel”. Deve-se ao facto de uma figueira ter nascido a meio da fachada e de existir uma colmeia na parede exterior do lado direito que, após várias tentativas de limpeza, aí permanecem há muitos anos.

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