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«O desenvolvimento das regiões do interior está cada vez mais dependente

Cara a Cara – Entrevista: Lino Maia

P – De que forma a crise está a afectar o trabalho das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)?

R – Eu penso que está a ser um desafio às IPSS. É evidente que estão com dificuldades acrescidas, porque há mais pessoas a solicitar os seus serviços, há menos comparticipação dos utentes – com o desemprego e o endividamento – e o Estado também está a cortar alguns apoios. Assim sendo, as instituições de solidariedade sentem que aumentar os serviços, estarem mais próximas das pessoas, inventando novas formas de intervenção são desafios constantes.

P – Como é que as IPSS podem contribuir para combater a crise?

R – Com mais serviços, nomeadamente apostando no emprego, no desenvolvimento local, na reactivação de serviços abandonados, criando refeitórios sociais, ocupando pessoas desempregadas, que até podem ser voluntárias ou empregadas nas próprias instituições.

P – A crise pode pôr em causa a viabilidade de algumas IPSS?

R – Num caso ou outro sim, mas os dirigentes estão a enfrentar muito bem a crise. Nós estamos no pico da crise e até agora ainda não houve nenhuma instituição a fechar portas, fruto da diminuição das comparticipações ou do congelamento dos apoios. As instituições continuam, com engenho e arte, a enfrentar esta situação difícil que atravessamos.

P – Acredita que o desenvolvimento local das regiões do interior está cada vez mais dependente das IPSS?

R – Está. Como este tipo de instituições não visam o lucro, mas o bem das pessoas, constituem-se como os agentes mais ágeis e que melhores serviços podem prestar, no sentido do desenvolvimento local, da fixação e rejuvenescimento da população ou do emprego nesta zona.

P – Actualmente, no contexto social, o que mais o preocupa?

R – O que mais me preocupa é o aumento do desemprego, que provoca instabilidade, desestruturação familiar, depressões nas pessoas e angústia relativamente ao futuro. Neste momento, o desemprego é, para mim, o maior flagelo da sociedade contemporânea.

Lino Maia

«O desenvolvimento das regiões do interior
está cada vez mais dependente

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