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José Gomes diz que recurso do Ministério Público resulta de «promoções e guerras internas»

Ex-director de Estradas de Coimbra foi absolvido de 11 crimes pelo Tribunal de Coimbra em Julho

José Gomes diz-se «perfeitamente tranquilo» relativamente ao recurso do Ministério Público (MP) – que O INTERIOR noticiou na edição da semana passada – quanto à sua absolvição pelo Tribunal de Coimbra por 11 crimes, entre os quais peculato, falsificação de documentos, participação económica em negócio, abuso de poder, prevaricação e violação de segredo por funcionário. Mais, o engenheiro civil, antigo director de Estradas da Guarda e Coimbra, garante que esta contestação só demonstra que «a justiça está mais preocupada com os seus problemas internos do que propriamente com a verdade das coisas».

Em declarações a O INTERIOR, o antigo vereador do PSD na Câmara da Guarda recorda que tudo começou com denúncias sobre a Direcção de Estradas de Leiria e Viseu, «em que se faziam leves referências aos serviços de Coimbra», mas que rapidamente «alguém» verificou que dava «mais impacto social um processo em Coimbra». Julgado e ilibado, José Gomes refere que a sentença «é aceite como correcta pela generalidade das pessoas» e estranha que o argumento para a substituição do magistrado do MP seja o «impacto social» do processo. Na sua opinião, «a única implicação social do caso é a vergonha, o descrédito, a má imagem do Ministério Público, que, depois de anos de investigação, de incomodarem muita gente, de gastarem muito dinheiro ao erário público e de tentarem destruir a vida sócio-político-profissional de um cidadão, não aceitam que não têm razão», sublinha.

O engenheiro não se mostra surpreendido com este recurso, tendo em conta o que diz ter ouvido durante a investigação da Judiciária. «Logo na primeira visita da PJ à Direcção de Estradas de Coimbra, o responsável máximo disse-me: “Você está muito metido na política”. Quando fui ouvido, um inspector, que, por acaso, é da Guarda, exclamou que não havia dúvidas sobre a minha culpabilidade», adianta. Já durante a fase instrutória afirma ter «constatado a pouca vontade do Procurador do MP em esclarecer os assuntos», em contraste com «a prevalência de ideias pré-feitas da investigação». O ex-director de Estradas reitera estar de «consciência tranquila» e que durante o desenvolvimento do processo afirmou «várias vezes que estavam a construir uma pessoa diferente daquilo que sou. Ou seja, parecia ser um trabalho encomendado e, como tal, tentaram arranjar e construir toda uma argumentação para levar a uma condenação». De resto, José Gomes estranha que o Procurador que o acusou e, por isso, estava impedido de participar no julgamento, tenha sido nomeado agora para fazer o recurso. «Parece que este magistrado, “envolvido em promoções internas”, pretende ser mais sabedor e melhor julgador que o seu colega que esteve no julgamento e que um colectivo de juízes», critica.

Para o ex-dirigente do PSD da Guarda, esta situação resulta de «promoções e guerras internas que os simples cidadãos não se dão conta» Além disso, admite que se trate de um «processo encomendado»: «Como tem tempo para ouvir as declarações gravadas de oito dias de audiências e ler todo o processo de julgamento? Será que este Procurador não terá mais nada que fazer? E se não estudou o processo, só está preocupado com aquilo que inicialmente decidiu», conclui. Nesse sentido, alega que uma das justificações para o recurso é poder ouvir uma testemunha que, por motivo de doença, não pôde comparecer em sede de audiência e que na fase de instrução proferiu declarações que, «em tribunal, seriam facilmente desmontadas como sendo incorrectas». José Gomes considera ainda que, «da forma como conhecemos o MP, não tenho dúvidas de que, por aquilo que estou a dizer, continuarei a ser perseguido por pessoas que não nos dão garantias de liberdade e democracia e que usam a justiça para outros fins».

Luis Martins «Parecia um trabalho encomendado e, como tal, tentaram arranjar e construir toda uma argumentação para levar a uma condenação», afirma José Gomes

José Gomes diz que recurso do Ministério
Público resulta de «promoções e guerras internas»

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